O Tzolkin é um campo



A consciência se espalhou. Ela foi dividida entre incontáveis fractais e eles atravessaram todo o cosmos. Em velocidades diferentes. Começaram a criar formas. As formas se tornaram seres. Os seres inventaram o tempo. E disseram que o tempo não existe. Que é infinito, que só existe o eterno agora onde as coisas estão se movimentando no espaço com certas regras. A esse movimento que acontece nesse espaço chamamos tempo. E essas regras, ciências.
A palavra "consciência" vem do Latim conscientia, que é formado por cum ("com" ou "junto") e scire ("saber"), significando literalmente "saber junto" ou "conhecimento compartilhado". A origem remonta ao particípio presente do verbo conscīre ("estar ciente" ou "saber de algo de forma mútua").
A consciência não existe então de forma isolada. Ela necessita o outro: um aglomerado de fractais criando sentidos, se movendo, se transformando.
Já que é porque as coisas mudam de lugar que evoluem, como a pedra que carece rolar ou ser tocada pelo vento pra mudar sua forma.
A consciência também atravessa a pedra. A consciência é omnipresente, mutável, infinita, permeável. Ela é a matéria da existência, capaz de fazer e desfazer coisas. A consciência é, na verdade, consciências.
Enquanto isso, os mesmos seres que inventaram o tempo, contaram uma história tantas vezes que acreditamos nela. Uma história que conecta tempo com o dinheiro de tal forma que coloca nossa prosperidade fora de nós e metrifica o nosso senso de valor.
O tempo gregoriano é apenas numérico. Ele não ensina. Ele apenas informa. Isso nos coloca num lugar passivo, onde o tempo é só um mecanismo e não um sistema vivo que pode nos conectar com saberes maiores, com o poder de alquimização.
Essa é uma história que o Tzolkin nunca contou e por isso ele nos permite dissolver o débito simbólico que transformou o tempo em dívida.
O Tzolkin, ou Cholq'ij em maya quiché, é um calendário mesoamericano de 260 dias.
Sua origem é atribuída aos olmecas, civilização berço das culturas mesoamericanas, que existiu por volta de 1000 a.C. Ao longo dos séculos, foi usado por muitas civilizações, cada qual a partir da sua própria consciência, o que gerou variações, interpretações múltiplas que foram sendo reelaboradas ao longo do tempo.
O uso desse calendário era majoritariamente espiritual. Por isso ficou conhecido como calendário sagrado.
A estrutura é simples: 20 símbolos combinados com 13 números (13 × 20 = 260 dias).
Cada símbolo e cada número carrega seu próprio espírito, sua própria essência. Os símbolos — também conhecidos como nawales — são considerados guias espirituais que regem certos elementos ou aspectos da vida. Em algumas interpretações, os números representam a natureza feminina e os nawales a natureza masculina.
Essencialmente, o Tzolkin é um calendário cíclico. Não tem ponto de partida fixo. A cosmologia maya entende o processo de evolução da consciência como eterno e circular, similar a muitas outras tradições indígenas. No Tzolkin, a cosmovisão linear e a cosmovisão circular se combinam formando uma espiral de movimento ascendente.
Para os antigos maias, o tempo não era uma linha, era um corpo. Cada dia, uma célula que acontece dentro desse organismo cósmico. Seus símbolos carregam histórias dos mitos e retratam arquétipos essenciais do México antigo e das terras maias.
O Tzolkin é o tempo vivo de um povo que não separava vida e movimento.
Viver o tempo no corpo é relacionar-se com o tempo de um lugar intencional e toda intenção nasce da percepção.
Quando você se pergunta "como a energia de hoje me atravessa?", você está fazendo duas coisas simultaneamente: olhando pra energia do dia, e principalmente olhando pra você.
Num dia regido pela energia de Vento (comunicação, espírito), você pode perceber que palavras fluem com mais facilidade ou que você está evitando falar algo importante. Num dia de Espelho (reflexo, verdade), você pode se ver nitidamente ou se esconder atrás dos próprios julgamentos. A energia convida. E você responde.
Olhar para si a partir do tempo é corporificar o tempo. Quando você opera desse lugar, você toma consciência de como você se sente, de como essa energia disponível contribui ou atrapalha seus movimentos. A partir disso, você começa a entender como se movimentar com mais consciência, feito uma criança que experimenta quão perto ela pode chegar do fogo sem queimar-se, do que o fogo pode fazer com ela, e mais transformador ainda: do que ela pode fazer com o fogo.
E a partir disso chegamos na consciência.
A partir do momento que a consciência se percebe parte de uma matriz sagrada, o tempo deixa de ser externo e passa a ser interno. Sendo interno volta a ser ativo, se torna um campo de cocriação. Um lugar onde uma intenção ganha forma a cada instante, porque estamos em movimento consciente. Onde as consciências não estão contidas em nós, mas nós é que nos movimentamos através delas.
Todo movimento acontece num espaço-tempo. O Tzolkin cria esse campo.
E quando você se relaciona com um campo, você não apenas o atravessa. Você interfere nele. E ao modificar o campo, você se torna ele.
Não existe observação sem interferência.
No nível subatômico, o ato de medir uma partícula altera seu estado.
Você não consegue "apenas olhar". Olhar É interferir.
Quando você "descobre" seu nawal, você está ativando uma frequência latente.
O nawal emerge no momento em que você o reconhece.
Quando você percebe algo, você não está "fora" dele olhando "para dentro".
Você está dentro dele, ele está dentro de você.
——————————————————————————
/ Luba Uac
260 dias [ 01 ] / 2025, 2026
A consciência se espalhou. Ela foi dividida entre incontáveis fractais e eles atravessaram todo o cosmos. Em velocidades diferentes. Começaram a criar formas. As formas se tornaram seres. Os seres inventaram o tempo. E disseram que o tempo não existe. Que é infinito, que só existe o eterno agora onde as coisas estão se movimentando no espaço com certas regras. A esse movimento que acontece nesse espaço chamamos tempo. E essas regras, ciências.
A palavra "consciência" vem do Latim conscientia, que é formado por cum ("com" ou "junto") e scire ("saber"), significando literalmente "saber junto" ou "conhecimento compartilhado". A origem remonta ao particípio presente do verbo conscīre ("estar ciente" ou "saber de algo de forma mútua").
A consciência não existe então de forma isolada. Ela necessita o outro: um aglomerado de fractais criando sentidos, se movendo, se transformando.
Já que é porque as coisas mudam de lugar que evoluem, como a pedra que carece rolar ou ser tocada pelo vento pra mudar sua forma.
A consciência também atravessa a pedra. A consciência é omnipresente, mutável, infinita, permeável. Ela é a matéria da existência, capaz de fazer e desfazer coisas. A consciência é, na verdade, consciências.
Enquanto isso, os mesmos seres que inventaram o tempo, contaram uma história tantas vezes que acreditamos nela. Uma história que conecta tempo com o dinheiro de tal forma que coloca nossa prosperidade fora de nós e metrifica o nosso senso de valor.
O tempo gregoriano é apenas numérico. Ele não ensina. Ele apenas informa. Isso nos coloca num lugar passivo, onde o tempo é só um mecanismo e não um sistema vivo que pode nos conectar com saberes maiores, com o poder de alquimização.
Essa é uma história que o Tzolkin nunca contou e por isso ele nos permite dissolver o débito simbólico que transformou o tempo em dívida.
O Tzolkin, ou Cholq'ij em maya quiché, é um calendário mesoamericano de 260 dias.
Sua origem é atribuída aos olmecas, civilização berço das culturas mesoamericanas, que existiu por volta de 1000 a.C. Ao longo dos séculos, foi usado por muitas civilizações, cada qual a partir da sua própria consciência, o que gerou variações, interpretações múltiplas que foram sendo reelaboradas ao longo do tempo.
O uso desse calendário era majoritariamente espiritual. Por isso ficou conhecido como calendário sagrado.
A estrutura é simples: 20 símbolos combinados com 13 números (13 × 20 = 260 dias).
Cada símbolo e cada número carrega seu próprio espírito, sua própria essência. Os símbolos — também conhecidos como nawales — são considerados guias espirituais que regem certos elementos ou aspectos da vida. Em algumas interpretações, os números representam a natureza feminina e os nawales a natureza masculina.
Essencialmente, o Tzolkin é um calendário cíclico. Não tem ponto de partida fixo. A cosmologia maya entende o processo de evolução da consciência como eterno e circular, similar a muitas outras tradições indígenas. No Tzolkin, a cosmovisão linear e a cosmovisão circular se combinam formando uma espiral de movimento ascendente.
Para os antigos maias, o tempo não era uma linha, era um corpo. Cada dia, uma célula que acontece dentro desse organismo cósmico. Seus símbolos carregam histórias dos mitos e retratam arquétipos essenciais do México antigo e das terras maias.
O Tzolkin é o tempo vivo de um povo que não separava vida e movimento.
Viver o tempo no corpo é relacionar-se com o tempo de um lugar intencional e toda intenção nasce da percepção.
Quando você se pergunta "como a energia de hoje me atravessa?", você está fazendo duas coisas simultaneamente: olhando pra energia do dia, e principalmente olhando pra você.
Num dia regido pela energia de Vento (comunicação, espírito), você pode perceber que palavras fluem com mais facilidade ou que você está evitando falar algo importante. Num dia de Espelho (reflexo, verdade), você pode se ver nitidamente ou se esconder atrás dos próprios julgamentos. A energia convida. E você responde.
Olhar para si a partir do tempo é corporificar o tempo. Quando você opera desse lugar, você toma consciência de como você se sente, de como essa energia disponível contribui ou atrapalha seus movimentos. A partir disso, você começa a entender como se movimentar com mais consciência, feito uma criança que experimenta quão perto ela pode chegar do fogo sem queimar-se, do que o fogo pode fazer com ela, e mais transformador ainda: do que ela pode fazer com o fogo.
E a partir disso chegamos na consciência.
A partir do momento que a consciência se percebe parte de uma matriz sagrada, o tempo deixa de ser externo e passa a ser interno. Sendo interno volta a ser ativo, se torna um campo de cocriação. Um lugar onde uma intenção ganha forma a cada instante, porque estamos em movimento consciente. Onde as consciências não estão contidas em nós, mas nós é que nos movimentamos através delas.
Todo movimento acontece num espaço-tempo. O Tzolkin cria esse campo.
E quando você se relaciona com um campo, você não apenas o atravessa. Você interfere nele. E ao modificar o campo, você se torna ele.
Não existe observação sem interferência.
No nível subatômico, o ato de medir uma partícula altera seu estado.
Você não consegue "apenas olhar". Olhar É interferir.
Quando você "descobre" seu nawal, você está ativando uma frequência latente.
O nawal emerge no momento em que você o reconhece.
Quando você percebe algo, você não está "fora" dele olhando "para dentro".
Você está dentro dele, ele está dentro de você.
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/ Luba Uac
260 dias [ 01 ] / 2025, 2026
A consciência se espalhou. Ela foi dividida entre incontáveis fractais e eles atravessaram todo o cosmos. Em velocidades diferentes. Começaram a criar formas. As formas se tornaram seres. Os seres inventaram o tempo. E disseram que o tempo não existe. Que é infinito, que só existe o eterno agora onde as coisas estão se movimentando no espaço com certas regras. A esse movimento que acontece nesse espaço chamamos tempo. E essas regras, ciências.
A palavra "consciência" vem do Latim conscientia, que é formado por cum ("com" ou "junto") e scire ("saber"), significando literalmente "saber junto" ou "conhecimento compartilhado". A origem remonta ao particípio presente do verbo conscīre ("estar ciente" ou "saber de algo de forma mútua").
A consciência não existe então de forma isolada. Ela necessita o outro: um aglomerado de fractais criando sentidos, se movendo, se transformando.
Já que é porque as coisas mudam de lugar que evoluem, como a pedra que carece rolar ou ser tocada pelo vento pra mudar sua forma.
A consciência também atravessa a pedra. A consciência é omnipresente, mutável, infinita, permeável. Ela é a matéria da existência, capaz de fazer e desfazer coisas. A consciência é, na verdade, consciências.
Enquanto isso, os mesmos seres que inventaram o tempo, contaram uma história tantas vezes que acreditamos nela. Uma história que conecta tempo com o dinheiro de tal forma que coloca nossa prosperidade fora de nós e metrifica o nosso senso de valor.
O tempo gregoriano é apenas numérico. Ele não ensina. Ele apenas informa. Isso nos coloca num lugar passivo, onde o tempo é só um mecanismo e não um sistema vivo que pode nos conectar com saberes maiores, com o poder de alquimização.
Essa é uma história que o Tzolkin nunca contou e por isso ele nos permite dissolver o débito simbólico que transformou o tempo em dívida.
O Tzolkin, ou Cholq'ij em maya quiché, é um calendário mesoamericano de 260 dias.
Sua origem é atribuída aos olmecas, civilização berço das culturas mesoamericanas, que existiu por volta de 1000 a.C. Ao longo dos séculos, foi usado por muitas civilizações, cada qual a partir da sua própria consciência, o que gerou variações, interpretações múltiplas que foram sendo reelaboradas ao longo do tempo.
O uso desse calendário era majoritariamente espiritual. Por isso ficou conhecido como calendário sagrado.
A estrutura é simples: 20 símbolos combinados com 13 números (13 × 20 = 260 dias).
Cada símbolo e cada número carrega seu próprio espírito, sua própria essência. Os símbolos — também conhecidos como nawales — são considerados guias espirituais que regem certos elementos ou aspectos da vida. Em algumas interpretações, os números representam a natureza feminina e os nawales a natureza masculina.
Essencialmente, o Tzolkin é um calendário cíclico. Não tem ponto de partida fixo. A cosmologia maya entende o processo de evolução da consciência como eterno e circular, similar a muitas outras tradições indígenas. No Tzolkin, a cosmovisão linear e a cosmovisão circular se combinam formando uma espiral de movimento ascendente.
Para os antigos maias, o tempo não era uma linha, era um corpo. Cada dia, uma célula que acontece dentro desse organismo cósmico. Seus símbolos carregam histórias dos mitos e retratam arquétipos essenciais do México antigo e das terras maias.
O Tzolkin é o tempo vivo de um povo que não separava vida e movimento.
Viver o tempo no corpo é relacionar-se com o tempo de um lugar intencional e toda intenção nasce da percepção.
Quando você se pergunta "como a energia de hoje me atravessa?", você está fazendo duas coisas simultaneamente: olhando pra energia do dia, e principalmente olhando pra você.
Num dia regido pela energia de Vento (comunicação, espírito), você pode perceber que palavras fluem com mais facilidade ou que você está evitando falar algo importante. Num dia de Espelho (reflexo, verdade), você pode se ver nitidamente ou se esconder atrás dos próprios julgamentos. A energia convida. E você responde.
Olhar para si a partir do tempo é corporificar o tempo. Quando você opera desse lugar, você toma consciência de como você se sente, de como essa energia disponível contribui ou atrapalha seus movimentos. A partir disso, você começa a entender como se movimentar com mais consciência, feito uma criança que experimenta quão perto ela pode chegar do fogo sem queimar-se, do que o fogo pode fazer com ela, e mais transformador ainda: do que ela pode fazer com o fogo.
E a partir disso chegamos na consciência.
A partir do momento que a consciência se percebe parte de uma matriz sagrada, o tempo deixa de ser externo e passa a ser interno. Sendo interno volta a ser ativo, se torna um campo de cocriação. Um lugar onde uma intenção ganha forma a cada instante, porque estamos em movimento consciente. Onde as consciências não estão contidas em nós, mas nós é que nos movimentamos através delas.
Todo movimento acontece num espaço-tempo. O Tzolkin cria esse campo.
E quando você se relaciona com um campo, você não apenas o atravessa. Você interfere nele. E ao modificar o campo, você se torna ele.
Não existe observação sem interferência.
No nível subatômico, o ato de medir uma partícula altera seu estado.
Você não consegue "apenas olhar". Olhar É interferir.
Quando você "descobre" seu nawal, você está ativando uma frequência latente.
O nawal emerge no momento em que você o reconhece.
Quando você percebe algo, você não está "fora" dele olhando "para dentro".
Você está dentro dele, ele está dentro de você.
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/ Luba Uac
260 dias [ 01 ] / 2025, 2026