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Cholq'ij / Tzolkin x Dreamspell
Cholq'ij / Tzolk'in
/ Tradição oral, milenar, ainda ativa atualmente
/ Ciclo de 13 números x 20 espíritos
/ Contagem contínua desde ~314 a.C.
/ Sincronizado com calendário Haab (365 dias tradicional Maya)
/ Mantém precisão astronômica e sincronia com ciclos naturais
Dreamspell
/ Criado por Lloydine e José Argüelles na decáda de 90
/ Estrutura derivada do Cholq'ij/Tzolkin
/ Contagem ajustada (sem 29 de fevereiro)
/ Sincronizado com Sincronário da Paz (calendário lunar-solar by Argüelles)
/ Sistema simbólico focado em sincronização espiritual e galáctica
Dois Sistemas, Uma Origem
O calendário de 260 dias é um calendário sagrado, um dos sistemas mais antigos da Mesoamérica. Atualmente há duas interpretações principais: uma tradicional Maya (Cholq'ij / Tzolk'in) e uma moderna (Dreamspell). Ambas usam a mesma matriz [20 × 13 = 260 dias] com origens, intenções e linguagens diferentes.
Cholq'ij e Tzolk'in têm o mesmo significado, em línguas diferentes. Tzol / Chol = conta, q'ij / kin = sol. Nas traduções percebe-se que q'ij tem um significado um pouco mais profundo: enquanto o kin fala de uma ideia do sol para marcar o dia, o q'ij evoca o sol enquanto sustenedor de uma força identitária que abrange aquele período.
Para a tradição Maya, o nawal é o espírito do dia, com o qual você se relaciona. Para o Dreamspell, o kin é uma identidade através da qual você se manifesta no mundo.
O Cholq'ij é ainda usado por Mayas contemporâneos, sendo mantido vivo por daykeepers Maias (aj q'ij) na Guatemala, México e outras regiões. É um sistema vivo, transmitido oralmente, com variações regionais (K'iche', Kaqchikel, Yucateco).
Dreamspell foi criado por Lloydine e José Argüelles, um artista e historiador da arte norte-americano. Ele criou um sistema próprio, inspirado (mas não idêntico) ao Tzolkin Maya, e desenvolveu camadas simbólicas que facilitaram a compreensão do sistema e o tornaram tão popular ao redor do planeta.
Ambos são válidos para quem os pratica, porque trazem não só outra contagem do tempo, mas nos convidam — dia após dia — a criar nossa própria relação com ele. Olhar para o tempo como uma entidade viva, que nos acompanha, apoia e insere enquanto fractais do próprio tempo, devolve a nós o poder ampliado das nossas próprias escolhas e evolução da nossa consciência.
A COSMOLOGIA DO TEMPO-CORPO
260 DIAS = GESTAÇÃO HUMANA + CRESCIMENTO DO MILHO
O Cholq'ij (Ordem dos Dias), também conhecido como Tzolk'in, é o calendário sagrado maya que calcula o tempo como consciência e compreende a relação entre Terra e Céu — os aspectos feminino e masculino da natureza que dão origem à vida e aos eventos.
A base do calendário está fundamentada no período de gestação humana e em uma variedade específica de milho comumente cultivada nas terras altas da Guatemala. É uma combinação de gestação humana e do milho, porque a colheita do milho está pronta em 260 dias e o bebê está pronto em 260 dias.
O número 260 carrega uma simbologia profunda, refletindo padrões fundamentais da existência. O número 20 representa a totalidade da experiência humana, simbolizada pelos dedos das mãos e dos pés. Os Mayas utilizavam essa prática para contar o tempo a partir do corpo, reforçando a ideia do corpo como microcosmos que reflete em si mesmo o funcionamento do universo.
O número 13, por sua vez, é associado ao movimento e à transformação, vinculado aos ciclos lunares e às 13 articulações principais do corpo humano — tornozelos, joelhos, quadris, punhos, cotovelos, ombros e pescoço.
O Tzolk'in não é abstrato — é uma tecnologia de atenção corporificada onde o corpo se torna instrumento de leitura do tempo.
Fontes: Apab'yan Tew, conhecimento agrícola tradicional, Tedlock (1982), Eduardo Ferronato
TEMPO COMO CONSCIÊNCIA
Cada dia no Cholq'ij é chamado Nawal, uma palavra que pode ser descrita como: Espírito, Substância, Entidade ou Força da natureza.
De acordo com alguns princípios mayas:
Tudo tem vida
Tudo tem uma forma de pensar
Tudo tem princípios feminino e masculino que dão origem
Tudo tem uma forma de comunicação ou diálogo
Tudo pertence a um sistema
Tudo pode ser alimentado
Os dias são entidades vivas — não símbolos estáticos, mas forças com as quais qualquer pessoa pode manter relacionamento. O aprendizado é somático primeiro: relacionar-se com um símbolo é aprender a "sentir" através do corpo antes de aprender a interpretá-lo intelectualmente.
O Calendário Maya é utilizado para tudo, desde filosofia de vida até atividades xamânicas. É a ferramenta principal usada pelos Ajq'ij (Guias Espirituais) para trabalhar o bem-estar da comunidade.
Fonte: Eduardo Ferronato
COMPARAÇÃO ESTRUTURAL
ORIGEM & CONTINUIDADE
Cholq'ij/Tzolk'in é tradição oral viva de povos mayas, com 20 símbolos × 13 números, contagem contínua desde antes de Cristo. A contagem é mantida ininterrupta por daykeepers mayas (aj q'ij) há milênios, com fontes em tradição oral viva, códices e práticas cerimoniais. É importante ressaltar que existem múltiplas tradições mayas (K'iche', Kaqchikel, Yucateco, entre outras) com diferenças regionais legítimas — não há "um" Tzolk'in único.
Dreamspell foi criado e canalizado por Lloydine e José Argüelles na década de 1990, com 20 selos solares × 13 tons galácticos. A contagem foi iniciada em 1987 durante a Convergência Harmônica. É um sistema fechado, único, sem variações regionais, baseado em canalização e interpretação de Argüelles.
Fontes: Tedlock (1982, p. 88-93), literatura Dreamspell vs. literatura tradicional, análise comparativa
CONTAGEM TÉCNICA
No Cholq'ij, o dia começa ao pôr do sol (~18h) e vai até o próximo pôr do sol — tradição maya padrão documentada por Tedlock. A contagem segue de pôr do sol a pôr do sol, diferente do calendário gregoriano (meia-noite a meia-noite). O ano bissexto é integrado normalmente — o dia 29 de fevereiro é contado como qualquer outro dia. Isso mantém precisão astronômica e sincronia com ciclos naturais, estando sincronizado com o calendário Haab (365 dias tradicional maya).
No Dreamspell, o dia começa à meia-noite (padrão gregoriano). O ano bissexto é ignorado — Argüelles repete o kin nos dias 29 de fevereiro e 01 de março, criando um "pulo" a cada 4 anos. Isso gera desalinhamento com a órbita solar real. O sistema está sincronizado com o Sincronário da Paz (calendário lunar-solar criado por Argüelles).
Fontes: Tedlock (1982), análise do sistema Dreamspell
FILOSOFIA & PRÁTICA
No Cholq'ij, cada dia é chamado Nawal — o espírito do dia, com o qual você se relaciona. A palavra Q'ij (K'iche') é uma condição viva que significa simultaneamente: sol, dia, tempo, calor vital, força que anima. A interpretação é contextual — o mesmo dia muda de significado dependendo da pergunta, do número que o acompanha e da situação da pessoa. O aprendizado é somático primeiro: daykeepers aprendem a SENTIR os dias (pulsações, tremores, "lightning in the blood") antes de interpretá-los intelectualmente. O tempo é territorializado — cada número tem seu lugar físico (santuário), o tempo não é abstrato mas espacialmente ancorado.
Existe variação regional legítima: cada comunidade maya tem ênfases diferentes. Por exemplo, Ak'ab'al é dia de casamento em Momostenango, mas dia de bruxaria em Chichicastenango. Ambas interpretações estão "certas" dentro de suas práticas locais.
No Dreamspell, cada dia é chamado Kin — uma identidade através da qual você se manifesta no mundo. A palavra vem do yucateco e é um rótulo funcional que significa: sol, dia, tempo. A interpretação é fixa — cada kin tem significado definido no sistema. O aprendizado é mais intelectual/simbólico, com leitura de significados pré-definidos. O tempo é abstrato, não territorializado. Não há variação — é um sistema único, sem adaptações regionais.
Fontes: Tedlock (1982, p. 88-90, Cap. 5, "The Blood Speaks"), Apab'yan Tew, Eduardo Ferronato (comunicações pessoais)
OS 20 SÍMBOLOS — CONVERGÊNCIAS & DISTORÇÕES
O que Argüelles manteve (8 de 20 dias)
Dias onde Dreamspell respeita tradições mesoamericanas:
✓ #2 Ik' (Vento) → Vento
✓ #3 Ak'ab'al (Noite) → Noite
✓ #5 Kan (Serpente) → Serpente
✓ #10 Tz'i'/Ok (Cão) → Cachorro
✓ #11 Batz'/Chuwen (Macaco) → Macaco
✓ #15 Tz'iquin/Men (Águia) → Águia
✓ #17 Noj'/Kab'an (Terra) → Terra
✓ #19 Kawuk/Kawak (Tempestade) → Tempestade
O que Argüelles inventou ou distorceu significativamente (12 de 20 dias)
#1 — Imox/Imix (Crocodilo em todas as tradições) → "Dragão" (criatura medieval/fantasia europeia, não presente em culturas indígenas mesoamericanas)
#4 — K'at (Rede/Queimar/Dívida K'iche') vs K'an (Semente Yucateco) vs Tikuíni (Lagarto P'urhépecha) → "Semente" (diverge entre tradições)
#6 — Kame/Kimi (Morte em todas as tradições) → "Enlaçador de Mundos" (Argüelles suavizou o conceito, embora mantenha morte como um dos significados — transformação de algo direto em conceito new age abstrato)
#7 — Kej (Veado K'iche') vs Manik' (Mão Yucateco) vs Axúni (Veado P'urhépecha) → "Mão" (diverge entre tradições)
#8 — Q'anil (Colheita K'iche') vs Lamat (Estrela/Vênus Yucateco) vs Auáni (Coelho P'urhépecha) → "Estrela" (diverge entre tradições)
#9 — Toj (Pagar/Dor K'iche') vs Muluk (Água Yucateco) vs Itsí (Água P'urhépecha) → "Lua" (troca água por corpo celeste diferente)
#12 — E/Eb' (Caminho/Estrada em todas as tradições) → "Humano" (invenção sem conexão clara)
#13 — Aj (Casa K'iche') vs B'en (Cana Yucateco/P'urhépecha) → "Caminhante do Céu" (conceito totalmente novo e fantástico)
#14 — Ix (Jaguar em TODAS as tradições) → "Mago Branco" (transformação de predador em fantasia medieval inofensiva)
#16 — Ajmaq (Perdão/Linhagem K'iche') vs K'ib' (Sabedoria Yucateco) vs Kurhítse (Abutre P'urhépecha) → "Guerreiro" (conceito militarista sem base)
#18 — Tijax (Obsidiana/Lâmina) → "Espelho" (diverge do significado original de faca/corte)
#20 — Ajpu (Ancestrais K'iche'/Yucateco) vs Tsïtsïki (Flor P'urhépecha) → "Sol" (diverge entre tradições)
Padrão das distorções:
Suavização de conceitos considerados "negativos" ou intensos (morte vira enlaçador, jaguar vira mago)
Adição de conceitos new age palatáveis ("Enlaçador de Mundos", "Caminhante do Céu")
Medievalização (Mago, Guerreiro, Dragão = fantasia europeia, não mesoamericana)
Simplificação de conceitos complexos (perdão de pecados → guerreiro)
Fontes: Tedlock (1982), Edmonson (1988), Christenson (2007), análise comparativa Dreamspell vs. fontes tradicionais
AS 4 CORES — ESPECÍFICAS DO DREAMSPELL
No Dreamspell, José Argüelles atribuiu um sistema de 4 cores que organizam o fluxo do tempo em padrão repetitivo: Vermelho, Branco, Azul e Amarelo. Esse padrão estrutural cria ciclos harmônicos dentro dos 260 dias, onde cada sequência de quatro dias reflete um microciclo de transformação. Essa estrutura de 4 em 4 dias, chamada de harmônica cromática, completa-se 65 vezes ao longo dos 260 dias. Argüelles observou que essa repetição de 65 harmônicas reflete padrões encontrados no código genético humano (64 códons + um centro), sugerindo que "a vida é informada pelo tempo, e o tempo é informação biológica".
No Cholq'ij tradicional, as cores variam entre diferentes comunidades mayas e têm atribuições e significados diferentes. Um mesmo nawal pode ser associado a mais de uma cor, dependendo da região e da linhagem. O sistema de 4 cores fixas é uma criação de Argüelles, não parte da tradição maya original.
TERMINOLOGIA — INVENÇÕES DE ARGÜELLES
Argüelles criou terminologia que não existe em tradições mayas: "Selos Solares", "Tons Galácticos", "Ondas Encantadas", "Castelos". Esses termos foram criados para tornar o sistema palatável para a audiência new age ocidental. "Ondas Encantadas" é baseado em "trecenas" (grupos de 13 dias que existem na tradição), mas com terminologia fantástica. Nomenclaturas como "Castelos", "Magos", "Dragões", "Guerreiros" trazem linguagem medieval/fantasia europeia que não existe em cosmologias indígenas mesoamericanas.
Fontes: Comparação Dreamspell vs. fontes tradicionais, literatura Dreamspell
REPRESENTAÇÃO VISUAL
Tradicionalmente, o Cholq'ij pode ser representado em espiral ou forma circular, refletindo sua filosofia de ciclos orgânicos e não-lineares. Argüelles escolheu representar o Dreamspell em grade retangular 13×20, um sistema matricial quadriculado.
Fonte: Representação visual do Dreamspell, fontes tradicionais
POR QUE ISSO IMPORTA?
Muitas pessoas (como eu) foram apresentadas ao Tzolk'in via Dreamspell sem saber que havia diferença. Meu objetivo aqui é informar com rigor, respeito e responsabilidade as diferenças entre eles, para que possamos nos aproximar da amplitude que o Tzolk'in representa, incorporando novas percepções desses saberes, em prol da evolução da consciência.
Acredito que ambos sistemas são válidos para quem os pratica, porque trazem não só outra contagem do tempo, mas nos convidam — dia após dia — a criar nossa própria relação com ele. Olhar para o tempo como uma entidade viva, que nos acompanha, nos insere enquanto fractais do próprio tempo, devolve a nós o poder ampliado das nossas próprias escolhas e por isso nos transformam.
NÃO EXISTE "UM" TZOLK'IN
Existem múltiplas tradições vivas, cada uma com interpretações diferentes dos mesmos dias, ênfases diferentes nos números, práticas rituais diferentes e contextos culturais diferentes. E todas são autênticas dentro de seus próprios contextos.
Por que isso acontece? A geografia já explica parte: Momostenango não é igual a Chichicastenango, que não é igual a outras comunidades Quiché, que não são iguais a comunidades Kaqchikel ou Mam. A própria Barbara Tedlock documenta isso, mostrando que em Momostenango Ak'ab'al é dia de casamento, enquanto em Chichicastenango Ak'ab'al é dia de bruxaria e calúnia. Ambos estão certos dentro de suas práticas locais.
A linhagem de ensino também varia. Cada daykeeper aprende com seu professor, que aprendeu com o dele, criando transmissão oral com variações naturais, ênfases diferentes dependendo da linhagem e experiências pessoais que moldam interpretações.
A função social dos daykeepers influencia suas interpretações. Um daykeeper que trabalha principalmente com cura vai enfatizar aspectos diferentes de um que trabalha com agricultura, que vai enfatizar outros aspectos diferentes de um que trabalha com política e comunidade.
E por fim, o tempo. A tradição é viva — ela muda, se adapta, responde ao contexto atual. Trabalhar com sistemas vivos é complexo. Eles são múltiplos e contraditórios por natureza. Não existe interpretação correta — existe como você sente, experimenta e corporifica o tempo.
FREQUÊNCIAS TELÚRICAS & GALÁCTICAS
O que o Dreamspell acertou (mesmo inventando)
Há algo que precisa ser dito com honestidade: embora Argüelles tenha criado um sistema que se distancia significativamente das tradições mayas originais, ele capturou algo real sobre frequências de consciência.
O Cholq'ij opera na frequência telúrica — enraizada, cerimonial, conectada aos ciclos da Terra, aos santuários físicos, ao milho, à gestação, ao corpo como instrumento. É tempo-território, tempo-matéria, tempo que se vive nos pés descalços na terra.
O Dreamspell, ao se apresentar como sistema galáctico, está acessando outra camada — a frequência de sincronicidade, de padrões que transcendem o local, de conexão com campo informacional mais amplo. Quando Argüelles fala de "selos solares" e "tons galácticos", ele não está falando de tradição maya — ele está falando de uma tecnologia de atenção que funciona para pessoas desconectadas do tempo natural.
E ambas frequências são reais.
A questão não é "qual é verdadeira", mas qual você está acessando e por quê.
Mayas Galácticos: Canalização vs. Tradição
Existe uma corrente chamada "Mayas Galácticos" que se baseia principalmente em canalizações — contato com entidades que se apresentam como "Mayas de dimensões superiores" ou "Anciãos Galácticos Mayas". Essa corrente inclui o trabalho de Argüelles, mas também outros canalizadores.
É preciso distinguir:
Tradição maya viva = mantida por aj q'ij (daykeepers), transmitida oralmente, enraizada em comunidades físicas, praticada em cerimônias com fogo e oferendas
Canalização de "Mayas Galácticos" = informação recebida por via mediúnica/telepática, geralmente por pessoas não-mayas, com linguagem new age
Ambas podem ter valor. Mas não são a mesma coisa e não devem ser apresentadas como equivalentes.
Se você trabalha com material canalizado, seja transparente sobre isso. Diga: "Esta informação vem de canalização, não de tradição oral maya". Isso é rigor. Isso é respeito.
Energias Telúricas vs. Frequências Galácticas
No trabalho com o calendário de 260 dias, podemos reconhecer duas correntes de força:
Telúrica (Cholq'ij):
Conexão com a Terra como organismo vivo
Tempo medido por fenômenos naturais (pôr do sol, ciclos agrícolas, gestação)
Aprendizado através do corpo (sentir os dias nas articulações, no sangue)
Prática cerimonial com elementos físicos (fogo, copal, milho, oferendas)
Relacionamento com lugares sagrados específicos
Tradição oral mantida por comunidades enraizadas
Galáctica (Dreamspell e correntes canalizadas):
Conexão com campo informacional universal
Tempo como matriz sincronística
Aprendizado através de padrões matemáticos e símbolos
Prática mental/meditativa
Independente de geografia física
Informação recebida por canalização ou sistematizada intelectualmente
São frequências complementares.
Campo Relacional: Você Interfere, Você Se Torna
Quando você se relaciona com um campo — seja Cholq'ij, seja Dreamspell — você não apenas o atravessa. Você interfere nele. E ao modificar o campo, você se torna ele.
Isso não é metáfora. É topologia da consciência.
Cada pessoa que acorda para um nawal aumenta o campo desse nawal no mundo. Mais gente vibrando Tijax (obsidiana, discernimento) significa mais Tijax disponível no campo coletivo. Mais gente vibrando "Enlaçador de Mundos" (reinterpretação de Kame/Morte por Argüelles) significa mais dessa frequência disponível.
Ambas frequências existem agora. Cholq'ij existe há milênios. Dreamspell existe há 30+ anos e já criou seu próprio campo morfogenético. A pergunta não é "qual é mais verdadeiro", mas: qual campo você sente que te convida?
Por que Dreamspell ressoa, mesmo sendo impreciso?
Dreamspell criou um campo real, mesmo sendo impreciso, porque ao traduzir o Tzolkin para linguagem ocidental moderna construiu uma ponte. Imperfeita historicamente, mas ressonante psiquicamente.
Dreamspell é linguagem arquetípica, não mapa astronômico preciso.
Funciona como porta de entrada para o tempo sagrado, sistema de autoconhecimento acessível e linguagem compartilhada de reconhecimento. Mas o custo é o apagamento das tradições originárias, distorção de significados mayas e pessoas achando que estão praticando calendário maya tradicional quando não estão.
Por isso este projeto existe. Não para descartar Dreamspell — ele já criou seu próprio campo morfogenético e é real para quem o pratica, mas para nomear as diferenças com respeito e responsabilidade, para que possamos nos aproximar da amplitude que o Tzolk'in representa, incorporando novas percepções desses saberes, em prol da evolução da consciência.
Acredito que ambos sistemas são válidos para quem os pratica, porque trazem não só outra contagem do tempo, mas nos convidam — dia após dia — a criar nossa própria relação com ele. Olhar para o tempo como uma entidade viva, que nos acompanha, nos insere enquanto fractais do próprio tempo, devolve a nós o poder ampliado das nossas próprias escolhas e por isso nos transformam.
Os 20 Nawales
Comparação entre três tradições mayas vivas (Yucateco, K'iche', Kaqchikel) e o sistema moderno Dreamspell (José Argüelles).
Esta tabela revela convergências e divergências entre comunidades mayas, mostrando que não existe "um" Tzolk'in único.
| # | Yucateco (séc. XVI) | K'iche' (1722) | Kaqchikel (1685) | Dreamspell (1990) |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Imix Maíz, seno | Ymox = Imox Envidia del nieto | Ymox = Imox El Pez espada | Dragão Vermelho ✗ Crocodilo → Dragão |
| 2 | Ik Viento | Yq' = Iq' Viento, Luna | Yq' = Iq' Viento | Vento Branco ✓ |
| 3 | Akbal Noche, oscuridad | Aq'bal = Aq'b'al Casa para pasar la noche | Aq'bal = Aq'b'al La Casa | Noite Azul ✓ |
| 4 | K'an Iguana amarilla | K'at = K'at Red del maíz, lagarto | K'at = K'at El lagarto | Semente Amarela ⚠ Rede/lagarto → semente |
| 5 | Chikchan Culebra | Can = Kan Culebra Q'anti' | Can = Kan La culebra | Serpente Vermelha ✓ |
| 6 | Kimi Muerte | Queme = Keme Mordedura, señor de la muerte | Camey = Kamey La muerte | Enlaçador de Mundos Branco ✗ Morte → Enlaçador de Mundos |
| 7 | Manik Correr el viento, venado | Quej = Kej Venado | Quieh = Kyej El venado | Mão Azul ⚠ Veado → Mão |
| 8 | Lamat Conejo, venus, estrella | Q'anil = Q'anil Conejo | Kanel = Q'anel El conejo | Estrela Amarela ⚠ Conejo → Estrela/Vênus |
| 9 | Muluc Lluvia, mentón | Toh = Toj Aguacero (energía Tojil) | Toh = Toj El aguacero | Lua Vermelha ✗ Água → Lua |
| 10 | Oc Perro, huella | Tz'ij = Tz'ij Perro | Tz'ij = Tz'ij El perro | Cachorro Branco ✓ |
| 11 | Chuen Mono | B'atz' = B'atz' Se volvió mico, mono fiero con barba | Batz' = B'atz' La mona | Macaco Azul ✓ |
| 12 | Eb Hilera, escalera | Ee = E' Diente | Ee = E' La escobilla | Humano Amarelo ✗ Caminho → Humano |
| 13 | Ben Caña de maíz | Ah = Aj Maíz tierno | Ah = Aj La caña | Caminhante do Céu Vermelho ✗ Cana/Milho → Caminhante do Céu |
| 14 | Hix Jaguar, hechicero | Yx = I'x Tigre (jaguar, tigrillo) | Iix = I'x Se refiere a los Ajq'ij | Mago Branco ✗ Jaguar → Mago |
| 15 | Men Águila, sabio | Tz'iquin = Tz'ikin Pájaro | Tziquin = Tz'ikin El águila | Águia Azul ✓ |
| 16 | Kib Cera | Ahmak = Ajmaq Buho (pecador) | Ahmac = Ajmaq El búho | Guerreiro Amarelo ✗ Perdão/Coruja → Guerreiro |
| 17 | Kab'an Tierra | Noh = Noj Temple, goma, llorar | Noh = Noj El temple | Terra Vermelha ✓ |
| 18 | Etz'nab Pedernal, afilado | Tihax = Tijax Pedernal, rasgado | Tihax = Tijax El pedernal | Espelho Branco ⚠ Obsidiana → Espelho |
| 19 | Kawak Tormenta | Caoc = Kök Lluvia | Caok = Kök La tortuga | Tempestade Azul ✓ |
| 20 | Ahau Señor, gobernante | Hunahpu = Junajpu El único sol, bajó a Xib'alb'a | Hunahpu = Junajpu La flor o Rosa | Sol Amarelo ✓ |
- Yucateco (séc. XVI): Coe y Van Stone (2001), referências em Tedlock (1982)
- K'iche' (1722): Documentos históricos citados em Tedlock (1982)
- Kaqchikel (1685): Documentos históricos citados em Tedlock (1982)
- Dreamspell (1990): Sistema de José Argüelles
Referências e pesquisa
Esta pesquisa começou há cerca de 5 anos, quando descobri o calendário de 260 dias através do Dreamspell. Em 2022 adotei o Tzolkin na minha rotina, via Dreamspell, testei muitas versões de acompanhá-lo, o que resultou no Caderno 260 dias.
Durante anos, pratiquei essa contagem, até descobrir, ao fazer a calculadora de kin, que o dia 29 de fevereiro não entrava na contagem da matriz de 260 dias usada por Argüelles (Dreamspell). No final de 2025 mergulhei nas raízes do Tzolkin, e descobri outra versão: o Cholq'ij, mantido vivo por Mayas contemporâneos.
Isso mudou tudo de forma construtiva. Tudo que eu aprendi através do Dreamspell, em boa parte, veio da minha própria experiência, da minha intencionalidade de me relacionar com cada uma das 20 forças, em suas 13 formas de manifestação.
O Caderno 260 dias - coincidências ou não (não acredito nelas, mas vai que você acredita, rs), manteve em seu centro exatamente a estrutura originária do próprio Cholq'ij: a contagem de 260 dias, 20 forças x 13 formas, dividas em trecenas - ondas encantadas no Dreamspell.
Passei a me basear na contagem milenar dos Mayas, a partir do meu repertório com o Dreamspell e estou expandindo a pesquisa para incorporar as interpretações originárias às interpretações dos Argüelles como forma de ampliar o repertório sobre essas forças, que podem ser lidas como arquétipos ou arcanos, já que também falam de mistérios.
Por que falo dos dois sistemas?
Porque muita gente (como eu) foi apresentada ao Tzolkin via Dreamspell e não sabe que existe diferença. Meu objetivo não é "converter" ninguém, mas informar: Se você usa Dreamspell, maravilhoso. Você provavelmente já sentiu mudanças na sua vida a partir dessa contagem, ou fez associações que te trouxeram novas consciências. Esse é, pra mim, o principal propósito. Agora saiba que não é o sistema tradicional Maya, e escolha a contagem que faz mais sentido pro seu coração.
Esta é pesquisa viva.
Se você encontrar algum erro, por favor, me avise: [ ola@luba.studio ]
Luba Uac
Designer de consciência
Pesquisadora de sistemas simbólicos e tempo
/ Belo Horizonte, Brasil
Fontes
K'iche' (Momostenango):
Tedlock, Barbara. 1982. Time and the Highland Maya. University of New Mexico Press.
Christenson, Allen J. 2007. Popol Vuh: Sacred Book of the Quiché Maya People. Mesoweb.
Eduardo Ferronato — daykeeper de Nahualá (comunicações pessoais)
Yucateco:
Referências em Tedlock aos equivalentes Yucatecos
P'urhépecha:
Edmonson, Munro S. 1988. The Book of the Year: Middle American Calendrical Systems. University of Utah Press.
Educacional:
Davies, Diane. Maya Archaeologist. Educational resources on Maya calendar.
Kettunen, Harri & Helmke, Christophe. 2020. Introduction to Maya Hieroglyphs.