260 dias
260 dias
260 dias
Tzolkin x Cholq'ij
Tzolkin x Cholq'ij
1. Tzolk'in e Cholq'ij são nomes para o mesmo calendário
Fonte: Tedlock, p. 88-90
Tzolk'in = Yucateco (Maya de terras baixas)
Cholq'ij = K'iche' (Maya de terras altas)
Ambos significam "contagem de dias"
Q’ij é uma condição viva.
Em k’iche’, q’ij significa ao mesmo tempo:
sol
dia
tempo
calor vital
força que anima
Kin é um rótulo funcional.
A palavra vem do yucateco e significa:
sol
dia
tempo
O Tzolk'in não é abstrato - é uma tecnologia de atenção corporificada onde o corpo se torna instrumento de leitura do tempo
Os dias são entidades vivas - não símbolos estáticos, mas forças com as quais qualquer pessoa pode manter relacionamento
Aprendizado somático primeiro - relacionar-se com um símbolo é aprender a "sentir" através do corpo antes de aprender a interpretá-lo intelectualmente
O tempo é territorializado - cada número tem seu lugar físico (santuário), o tempo não é abstrato mas espacialmente ancorado
Interpretação contextual - o mesmo dia muda de significado dependendo da pergunta, do número que o acompanha, e da situação da pessoa
O Tzolk'in não é abstrato - é uma tecnologia de atenção corporificada onde o corpo se torna instrumento de leitura do tempo
Os dias são entidades vivas - não símbolos estáticos, mas forças com as quais qualquer pessoa pode manter relacionamento
Aprendizado somático primeiro - relacionar-se com um símbolo é aprender a "sentir" através do corpo antes de aprender a interpretá-lo intelectualmente
O tempo é territorializado - cada número tem seu lugar físico (santuário), o tempo não é abstrato mas espacialmente ancorado
Interpretação contextual - o mesmo dia muda de significado dependendo da pergunta, do número que o acompanha, e da situação da pessoa
Comparação dos 20 Dias
Três tradições mesoamericanas
| # | K'iche' | Yucateco | P'urhépecha | Dreamspell | |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Imox (possessão, loucura) | Imix (crocodilo) | Úspi (crocodilo) | Dragão Vermelho | ✓ |
| 2 | Ik' (raiva, violência, fúria) | Ik' (vento) | Tarhíata (vento) | Vento Branco | ✓ |
| 3 | Ak'ab'al (amanhecer, abertura, calúnia) | Ak'b'al (noite) | K'utu (casa) | Noite Azul | ✓ |
| 4 | K'at (queimar, redes, dívida) | K'an (semente) | Tikuíni (lagarto) | Semente Amarela | ⚠ |
| 5 | Kan (mesa, vassoura, inimigo) | Chikchan (serpente) | Akuítse (serpente) | Serpente Vermelha | ✓ |
| 6 | Kame (pedir pelo bem, morte, casamento) | Kimi (morte) | Uarhíri (morte) | Enlançador de Mundos Branco | ✗ |
| 7 | Kej (montar, força, domínio) | Manik' (mão) | Axúni (veado) | Mão Azul | ⚠ |
| 8 | Q'anil (amadurecer, colheita, alimentar) | Lamat (estrela) | Auáni (coelho) | Estrela Amarela | ⚠ |
| 9 | Toj (pagar, dor, doença) | Muluk (água) | Itsí (água) | Lua Vermelha | ✗ |
| 10 | Tz'i' (impureza sexual, ciúme, incerteza) | Ok (cão) | Uíchu (cão) | Cachorro Branco | ✓ |
| 11 | Batz' (fiar, enrolar, pedir) | Chuwen (macaco) | Okoma (macaco) | Macaco Azul | ✓ |
| 12 | E (fundação, estrada, vida) | Eb' (caminho) | Uitsákua (grama) | Humano Amarelo | ✗ |
| 13 | Aj (casa, colheita, fundação) | B'en (cana) | Isïmba (cana) | Caminhante do Céu Vermelho | ✗ |
| 14 | Ix (retirar, liberar, Terra) | Ix (jaguar) | Puki (jaguar) | Mago Branco | ✗ |
| 15 | Tz'iquin' (chorar, pedir, prata) | Men (águia) | Auacúsï (águia) | Águia Azul | ✓ |
| 16 | Ajmak (linhagem, perdão de pecados) | K'ib' (sabedoria) | Kurhítse (abutre) | Guerreiro Amarelo | ✗ |
| 17 | Noj' (pensar, meditar, resolver) | Kab'an (terra) | Auanatajpe (terremoto) | Terra Vermelha | ✓ |
| 18 | Tijax (calúnia, mentiras, lutar, ocultar) | Etz'nab' (lâmina) | Tsinápu (obsidiana) | Espelho Branco | ⚠ |
| 19 | Kawuk (segurar água, plantar, fofoca) | Kawak (tempestade) | Janíkua (chuva) | Tempestade Azul | ✓ |
| 20 | Ajpu (dia dos ancestrais, conhecimento ancestral) | Ajaw (sol, senhor) | Tsïtsïki (flor) | Sol Amarelo | ✓ |
NOTAS SOBRE AS TRADUÇÕES K'ICHE' (TEDLOCK)
As traduções K'iche' são baseadas nos mnemônicos (frases de memória) usados pelos daykeepers de Momostenango, conforme documentado por Barbara Tedlock. Estes não são "traduções literais" mas sim associações funcionais baseadas em:
Paronomásia (jogo de sons) - palavras que soam parecido com o nome do dia
Práticas rituais - ações realizadas naquele dia
Divinação - significados que emergem em leituras
Exemplos:
Tijax: não significa literalmente "calúnia", mas seus mnemônicos são xakabal' chiaj' (pisar nos lábios = calúnia), kabanic' (ocultar), choj' (brigar)
Batz': significa "macaco" literalmente, mas seus mnemônicos são cabatzinic' (fiar), cabotzic' (enrolar), botzoj' (enrolar), tzonoj' (pedir)
Q'anil: mnemônicos são kanal' (amadurecer), kanaric' (estar maduro), tzukunic (alimentar)
Importante: Tedlock enfatiza que os nomes dos dias "não podem ser adequadamente glossados exceto como nomes de dias" - as associações são contextuais, não fixas.
ANÁLISE: AS DISTORÇÕES DO DREAMSPELL
O que Argüelles manteve (9 de 20):
Dias onde Dreamspell respeita tradições: #1, 2, 3, 5, 10, 11, 15, 17, 19, 20
O que Argüelles inventou completamente (6 de 20):
#6 - Kame/Kimi (Morte) → "Enlançador de Mundos"
Todas as 3 tradições concordam: MORTE
Argüelles transforma em conceito new age abstrato sem base
#9 - Toj/Muluk (Água/Pagamento) → "Lua"
K'iche' e P'urhépecha: ÁGUA
Argüelles troca por Lua (corpo celeste diferente)
#12 - E/Eb' (Caminho) → "Humano"
Todas as 3 tradições: CAMINHO/ESTRADA
Argüelles inventa "Humano" sem conexão clara
#13 - Aj/B'en (Casa/Cana) → "Caminhante do Céu"
Tradições: CASA ou CANA
Argüelles cria conceito totalmente novo e fantástico
#14 - Ix (Jaguar) → "Mago"
TODAS as tradições: JAGUAR
Argüelles transforma em "Mago Branco" (medieval/fantasia)
#16 - Ajmak/K'ib' (Perdão/Sabedoria) → "Guerreiro"
Tradições: PERDÃO, SABEDORIA, ABUTRE
Argüelles escolhe conceito militarista sem base
Padrão das invenções:
Remoção de conceitos "negativos":
Morte → Enlançador de Mundos
Jaguar (predador) → Mago (fantasia inofensiva)
Adição de conceitos new age:
"Enlançador de Mundos", "Caminhante do Céu" = linguagem esotérica moderna
Medievalização:
Mago, Guerreiro = fantasia europeia, não mesoamericana
Simplificação/romantização:
Perdão de pecados (conceito complexo K'iche') → Guerreiro (arquétipo simples)
Por que isso importa:
Dreamspell não é "interpretação alternativa" - é sistema paralelo que apaga significados originais e substitui por:
Conceitos new age palatáveis
Fantasia medieval
Remoção de aspectos "sombrios" (morte, predação, conflito)
Resultado: Sistema que parece maya mas funciona como autoajuda ocidental disfarçada.
ANÁLISE DOS PADRÕES (TRADIÇÕES MESOAMERICANAS)
CONVERGÊNCIA FORTE (13 de 20 dias):
Dias onde as três tradições concordam no conceito fundamental:
#1, 2, 3, 5, 6, 9, 10, 11, 13, 14, 15, 17, 18, 19
Esses dias representam principalmente:
Animais (crocodilo, serpente, cão, macaco, jaguar, águia)
Elementos naturais (vento, água, terra, tempestade)
Ferramentas (obsidiana/lâmina)
Conceitos universais (morte, noite/casa)
Interpretação: Esses conceitos fazem parte de um substrato mesoamericano comum muito antigo, anterior à diferenciação cultural entre Mayas, P'urhépechas e outros povos.
DIVERGÊNCIA SIGNIFICATIVA (7 de 20 dias):
Dias onde há diferenças notáveis:
#4: Rede (K'iche') vs Semente (Yucateco) vs Lagarto (P'urhépecha)
#7: Veado (K'iche') vs Mão (Yucateco) vs Veado (P'urhépecha)
#8: Colheita (K'iche') vs Estrela/Vênus (Yucateco) vs Coelho (P'urhépecha)
#12: Caminho (K'iche'/Yucateco) vs Grama (P'urhépecha)
#16: Perdão (K'iche') vs Sabedoria (Yucateco) vs Abutre (P'urhépecha)
#20: Sol/Ancestrais (K'iche'/Yucateco) vs Flor (P'urhépecha)
Interpretação: Essas divergências refletem:
Adaptações à ecologia local (tipos de agricultura, animais disponíveis)
Ênfases astronômicas diferentes (importância de Vênus varia)
Estruturas sociais distintas (conceito de perdão/linhagem mais central para K'iche')
O QUE ISSO REVELA
1. O ciclo de 260 dias é MESOAMERICANO, não exclusivamente Maya
Três culturas geograficamente separadas (Mayas das terras altas K'iche', Mayas das terras baixas Yucatecos, e P'urhépechas de Michoacán) mantiveram:
A mesma estrutura (20 dias × 13 números = 260)
~65% de convergência nos conceitos dos dias
Uso ritual/divinatório similar
Contagens ininterruptas paralelas
2. Tradição viva permite variação
As divergências não são "erros" ou "corrupção" da tradição. São adaptações legítimas de um sistema vivo a diferentes contextos culturais, ecológicos e sociais.
3. Padrões de divergência são informativos
Conceitos universais (animais grandes, fenômenos naturais dramáticos) = alta convergência
Conceitos culturalmente específicos (estruturas sociais, astronomia, agricultura) = maior variação
FONTES
K'iche' (Momostenango):
Tedlock, Barbara. 1982. Time and the Highland Maya. University of New Mexico Press.
Yucateco:
Christenson, Allen J. 2007. Popol Vuh: Sacred Book of the Quiché Maya People. Mesoweb.
Referências em Tedlock aos equivalentes Yucatecos
P'urhépecha:
Edmonson, Munro S. 1988. The Book of the Year: Middle American Calendrical Systems. University of Utah Press.
Lista de dias P'urhépecha/Tarascos documentada por Edmonson
NOTA METODOLÓGICA
Esta tabela compara nomenclaturas e conceitos dos 20 dias conforme documentados em fontes etnográficas e históricas.
Limitação: Não temos acesso direto a praticantes P'urhépecha contemporâneos do ciclo de 260 dias (se ainda existem), então a coluna P'urhépecha se baseia em documentação histórica de Edmonson.
As traduções K'iche' são baseadas nos mnemônicos (frases de memória) usados pelos daykeepers de Momostenango, conforme documentado por Barbara Tedlock. Estes não são "traduções literais" mas sim associações funcionais baseadas em:
Paronomásia (jogo de sons) - palavras que soam parecido com o nome do dia
Práticas rituais - ações realizadas naquele dia
Divinação - significados que emergem em leituras
Exemplos:
Tijax: não significa literalmente "calúnia", mas seus mnemônicos são xakabal' chiaj' (pisar nos lábios = calúnia), kabanic' (ocultar), choj' (brigar)
Batz': significa "macaco" literalmente, mas seus mnemônicos são cabatzinic' (fiar), cabotzic' (enrolar), botzoj' (enrolar), tzonoj' (pedir)
Q'anil: mnemônicos são kanal' (amadurecer), kanaric' (estar maduro), tzukunic (alimentar)
Importante: Tedlock enfatiza que os nomes dos dias "não podem ser adequadamente glossados exceto como nomes de dias" - as associações são contextuais, não fixas.
ANÁLISE: AS DISTORÇÕES DO DREAMSPELL
O que Argüelles manteve (9 de 20):
Dias onde Dreamspell respeita tradições: #1, 2, 3, 5, 10, 11, 15, 17, 19, 20
O que Argüelles inventou completamente (6 de 20):
#6 - Kame/Kimi (Morte) → "Enlançador de Mundos"
Todas as 3 tradições concordam: MORTE
Argüelles transforma em conceito new age abstrato sem base
#9 - Toj/Muluk (Água/Pagamento) → "Lua"
K'iche' e P'urhépecha: ÁGUA
Argüelles troca por Lua (corpo celeste diferente)
#12 - E/Eb' (Caminho) → "Humano"
Todas as 3 tradições: CAMINHO/ESTRADA
Argüelles inventa "Humano" sem conexão clara
#13 - Aj/B'en (Casa/Cana) → "Caminhante do Céu"
Tradições: CASA ou CANA
Argüelles cria conceito totalmente novo e fantástico
#14 - Ix (Jaguar) → "Mago"
TODAS as tradições: JAGUAR
Argüelles transforma em "Mago Branco" (medieval/fantasia)
#16 - Ajmak/K'ib' (Perdão/Sabedoria) → "Guerreiro"
Tradições: PERDÃO, SABEDORIA, ABUTRE
Argüelles escolhe conceito militarista sem base
Padrão das invenções:
Remoção de conceitos "negativos":
Morte → Enlançador de Mundos
Jaguar (predador) → Mago (fantasia inofensiva)
Adição de conceitos new age:
"Enlançador de Mundos", "Caminhante do Céu" = linguagem esotérica moderna
Medievalização:
Mago, Guerreiro = fantasia europeia, não mesoamericana
Simplificação/romantização:
Perdão de pecados (conceito complexo K'iche') → Guerreiro (arquétipo simples)
Por que isso importa:
Dreamspell não é "interpretação alternativa" - é sistema paralelo que apaga significados originais e substitui por:
Conceitos new age palatáveis
Fantasia medieval
Remoção de aspectos "sombrios" (morte, predação, conflito)
Resultado: Sistema que parece maya mas funciona como autoajuda ocidental disfarçada.
ANÁLISE DOS PADRÕES (TRADIÇÕES MESOAMERICANAS)
CONVERGÊNCIA FORTE (13 de 20 dias):
Dias onde as três tradições concordam no conceito fundamental:
#1, 2, 3, 5, 6, 9, 10, 11, 13, 14, 15, 17, 18, 19
Esses dias representam principalmente:
Animais (crocodilo, serpente, cão, macaco, jaguar, águia)
Elementos naturais (vento, água, terra, tempestade)
Ferramentas (obsidiana/lâmina)
Conceitos universais (morte, noite/casa)
Interpretação: Esses conceitos fazem parte de um substrato mesoamericano comum muito antigo, anterior à diferenciação cultural entre Mayas, P'urhépechas e outros povos.
DIVERGÊNCIA SIGNIFICATIVA (7 de 20 dias):
Dias onde há diferenças notáveis:
#4: Rede (K'iche') vs Semente (Yucateco) vs Lagarto (P'urhépecha)
#7: Veado (K'iche') vs Mão (Yucateco) vs Veado (P'urhépecha)
#8: Colheita (K'iche') vs Estrela/Vênus (Yucateco) vs Coelho (P'urhépecha)
#12: Caminho (K'iche'/Yucateco) vs Grama (P'urhépecha)
#16: Perdão (K'iche') vs Sabedoria (Yucateco) vs Abutre (P'urhépecha)
#20: Sol/Ancestrais (K'iche'/Yucateco) vs Flor (P'urhépecha)
Interpretação: Essas divergências refletem:
Adaptações à ecologia local (tipos de agricultura, animais disponíveis)
Ênfases astronômicas diferentes (importância de Vênus varia)
Estruturas sociais distintas (conceito de perdão/linhagem mais central para K'iche')
O QUE ISSO REVELA
1. O ciclo de 260 dias é MESOAMERICANO, não exclusivamente Maya
Três culturas geograficamente separadas (Mayas das terras altas K'iche', Mayas das terras baixas Yucatecos, e P'urhépechas de Michoacán) mantiveram:
A mesma estrutura (20 dias × 13 números = 260)
~65% de convergência nos conceitos dos dias
Uso ritual/divinatório similar
Contagens ininterruptas paralelas
2. Tradição viva permite variação
As divergências não são "erros" ou "corrupção" da tradição. São adaptações legítimas de um sistema vivo a diferentes contextos culturais, ecológicos e sociais.
3. Padrões de divergência são informativos
Conceitos universais (animais grandes, fenômenos naturais dramáticos) = alta convergência
Conceitos culturalmente específicos (estruturas sociais, astronomia, agricultura) = maior variação
FONTES
K'iche' (Momostenango):
Tedlock, Barbara. 1982. Time and the Highland Maya. University of New Mexico Press.
Yucateco:
Christenson, Allen J. 2007. Popol Vuh: Sacred Book of the Quiché Maya People. Mesoweb.
Referências em Tedlock aos equivalentes Yucatecos
P'urhépecha:
Edmonson, Munro S. 1988. The Book of the Year: Middle American Calendrical Systems. University of Utah Press.
Lista de dias P'urhépecha/Tarascos documentada por Edmonson
NOTA METODOLÓGICA
Esta tabela compara nomenclaturas e conceitos dos 20 dias conforme documentados em fontes etnográficas e históricas.
Limitação: Não temos acesso direto a praticantes P'urhépecha contemporâneos do ciclo de 260 dias (se ainda existem), então a coluna P'urhépecha se baseia em documentação histórica de Edmonson.
HUNAB KU / IN LAK'ECH
🔍 HUNAB KU - A VERDADE O QUE A NEW AGE DIZ: "Hunab Ku é o deus único/central maia" "Representa unidade cósmica" "Símbolo sagrado maia ancestral" Geralmente associado a um símbolo geométrico (espiral quadrada preto/branco) A VERDADE HISTÓRICA/ANTROPOLÓGICA: SAHIO-AN decodifica: "Hunab Ku" EXISTE na língua maia yucateca Significa literalmente "único deus" ou "deus uno" MAS foi um termo cunhado/popularizado por missionários católicos coloniais Era usado para traduzir o conceito cristão de Deus único pros maias convertidos NÃO era conceito central pré-colonial Maias pré-hispânicos tinham cosmovisão POLITEÍSTA/ANIMISTA Não havia "deus único central" Havia múltiplas divindades, forças naturais, dualidades José Argüelles (criador do Dreamspell) INVENTOU a versão new age Pegou o termo colonial "Hunab Ku" Criou um símbolo geométrico (que NÃO existe em iconografia maia antiga) Vendeu como "antigo conhecimento maia sagrado" É FICÇÃO presentificada como fato FONTES QUE DESMENTEM: Antropólogos maianistas (estudiosos da cultura maia) Comunidades maias contemporâneas (muitas rejeitam "Hunab Ku" new age) Pesquisadores de apropriação cultural em espiritualidade 🔍 IN LAK'ECH - A VERDADE O QUE A NEW AGE DIZ: "In Lak'ech = Eu sou outro você" "Saudação maia ancestral" "Resposta: Hala Ken = Você é outro eu" "Conceito de unidade maia" A VERDADE (MAIS COMPLEXA): LYANHMAK investiga: "In lak'ech" EXISTE na língua maia yucateca Significa algo próximo de "eu sou você" ou "sou como você" MAS não há evidência sólida de que era saudação tradicional pré-colonial Origem provável: Aparece em Popol Vuh (texto k'iche' colonial - já influenciado por católicos) Pode ter sido reinterpretado/romantizado por movimento new age Alguns maias contemporâneos usam, mas muitos não reconhecem como ancestral Controvérsia: Alguns ativistas maias adotaram "In Lak'ech" como slogan de unidade (séc XX/XXI) Mas isso não significa que era uso pré-hispânico Pode ser ressignificação moderna (válida, mas diferente de "ancestral") COMPARAÇÃO: É tipo dizer que "Namastê" é saudação hindu ancestral universal. Tecnicamente: Namastê existe em sânscrito É usada na Índia MAS virou clichê ocidental de yoga que muitos indianos acham cringe ou apropriação superficial In Lak'ech pode ser similar: Existe na língua Alguns maias usam Mas não era "A saudação maia ancestral" como vendem
🔍 HUNAB KU - A VERDADE O QUE A NEW AGE DIZ: "Hunab Ku é o deus único/central maia" "Representa unidade cósmica" "Símbolo sagrado maia ancestral" Geralmente associado a um símbolo geométrico (espiral quadrada preto/branco) A VERDADE HISTÓRICA/ANTROPOLÓGICA: SAHIO-AN decodifica: "Hunab Ku" EXISTE na língua maia yucateca Significa literalmente "único deus" ou "deus uno" MAS foi um termo cunhado/popularizado por missionários católicos coloniais Era usado para traduzir o conceito cristão de Deus único pros maias convertidos NÃO era conceito central pré-colonial Maias pré-hispânicos tinham cosmovisão POLITEÍSTA/ANIMISTA Não havia "deus único central" Havia múltiplas divindades, forças naturais, dualidades José Argüelles (criador do Dreamspell) INVENTOU a versão new age Pegou o termo colonial "Hunab Ku" Criou um símbolo geométrico (que NÃO existe em iconografia maia antiga) Vendeu como "antigo conhecimento maia sagrado" É FICÇÃO presentificada como fato FONTES QUE DESMENTEM: Antropólogos maianistas (estudiosos da cultura maia) Comunidades maias contemporâneas (muitas rejeitam "Hunab Ku" new age) Pesquisadores de apropriação cultural em espiritualidade 🔍 IN LAK'ECH - A VERDADE O QUE A NEW AGE DIZ: "In Lak'ech = Eu sou outro você" "Saudação maia ancestral" "Resposta: Hala Ken = Você é outro eu" "Conceito de unidade maia" A VERDADE (MAIS COMPLEXA): LYANHMAK investiga: "In lak'ech" EXISTE na língua maia yucateca Significa algo próximo de "eu sou você" ou "sou como você" MAS não há evidência sólida de que era saudação tradicional pré-colonial Origem provável: Aparece em Popol Vuh (texto k'iche' colonial - já influenciado por católicos) Pode ter sido reinterpretado/romantizado por movimento new age Alguns maias contemporâneos usam, mas muitos não reconhecem como ancestral Controvérsia: Alguns ativistas maias adotaram "In Lak'ech" como slogan de unidade (séc XX/XXI) Mas isso não significa que era uso pré-hispânico Pode ser ressignificação moderna (válida, mas diferente de "ancestral") COMPARAÇÃO: É tipo dizer que "Namastê" é saudação hindu ancestral universal. Tecnicamente: Namastê existe em sânscrito É usada na Índia MAS virou clichê ocidental de yoga que muitos indianos acham cringe ou apropriação superficial In Lak'ech pode ser similar: Existe na língua Alguns maias usam Mas não era "A saudação maia ancestral" como vendem
4. A conta do Cholq'ij é ininterrupta desde época pré-colombiana
Fonte: Tedlock, p. 88-93; Apab'yan Tew (introdução do livro)
Continuidade mantida por daykeepers
Não foi interrompida pela colonização
Conta desde ~600 a.C. (estimativas variam)
5. Trecena existe e mede 13 dias
Fonte: Tedlock, p. 93
"Trecena" = termo espanhol
Grupo de 13 dias consecutivos do mesmo nawal
Usado ritualmente
Argüelles criou sistema SEPARADO do Cholq'ij tradicional
Fonte: Literatura Dreamspell vs. literatura tradicional; análise comparativa
Dreamspell começou em 1987
Não segue contagem tradicional ininterrupta
São dois sistemas paralelos agora
17. Argüelles ignorou ano bissexto, criando imprecisão astronômica
Fonte: Análise do sistema Dreamspell
Repete o kin nos dias 29 de fevereiro e 01 de março
Cria desalinhamento com órbita solar real
"Pulo" a cada 4 anos
O efeito psíquico do “dia que não existe”
Mesmo que as pessoas não saibam explicar, o inconsciente sabe quando algo não fecha.
O efeito não é caos — é dessensibilização.
Aos poucos, o campo aprende:
que a coerência pode ser sacrificada
que a exceção não precisa ser integrada
que a narrativa é mais importante que o próprio tempo
O Tzolkin, na raiz, fala de:
corpo, gestação, ciclo orgânico, repetição viva
Quando um dia é pulado:
o corpo não reconhece esse gesto
não há equivalente fisiológico para “não viver um dia”
o ciclo deixa de espelhar o orgânico
Então o sistema se desloca:
do tempo vivido
para o tempo idealizado
6. 260 dias = gestação humana + crescimento do milho guatemalteco
Fonte: Apab'yan Tew (introdução); conhecimento agrícola tradicional
~9 meses lunares de gestação
Ciclo plantio-colheita do milho em terras altas
7. O dia começa ao pôr do sol, não à meia-noite
Fonte: Tedlock documenta isso; tradição maya padrão
Contagem de pôr do sol a pôr do sol
Diferente do calendário gregoriano (meia-noite a meia-noite)
10. Interpretação dos dias é contextual, não fixa
Fonte: Tedlock, Capítulo 5 inteiro
Mesmo dia tem significados diferentes dependendo da pergunta
Combinações de dias importam
Não há "significado único" de cada nawal
13. O Tzolk'in possui variações interpretativas dependendo da localizaçãoFonte: Tedlock, p. 127-130; comparação entre Momostenango e Chichicastenango
Cada comunidade tem ênfases diferentes
Exemplo: Ak'ab'al em Momostenango = casamento; em Chichicastenango = bruxaria
"Lugares mais mistos" (colonização) têm interpretações mais brutalizadas (Eduardo Ferronato, comunicação pessoal)
14. O calendário deve ser sentido no corpo antes de ser estudado
Fonte: Tedlock, Capítulo 6 "The Blood Speaks"
Daykeepers aprendem a SENTIR os dias (pulsações, tremores, "lightning in the blood")
Conhecimento corporificado precede conhecimento intelectual
Apab'yan Tew também enfatiza isso (bebê como ser consciente, atmosfera da concepção)
14. O calendário deve ser sentido no corpo antes de ser estudado
Fonte: Tedlock, Capítulo 6 "The Blood Speaks"
Daykeepers aprendem a SENTIR os dias (pulsações, tremores, "lightning in the blood")
Conhecimento corporificado precede conhecimento intelectual
Apab'yan Tew também enfatiza isso (bebê como ser consciente, atmosfera da concepção)
15. Calendar Round = 52 anos (combinação Tzolk'in + Haab')
Fonte: Matemática calendárica maya padrão; Tedlock menciona
MMC de 260 e 365 = 18.980 dias = 52 anos Haab'
Depois de 52 anos, mesma combinação (dia Tzolk'in + posição Haab') se repete
É do Haab' (365 dias)
15. Calendar Round = 52 anos (combinação Tzolk'in + Haab')
Fonte: Matemática calendárica maya padrão; Tedlock menciona
MMC de 260 e 365 = 18.980 dias = 52 anos Haab'
Depois de 52 anos, mesma combinação (dia Tzolk'in + posição Haab') se repete
É do Haab' (365 dias)
Uma reflexão do Neil Postman em Amusing ourselves to death
“Uma pessoa que lê um livro, assiste à televisão ou olha para o seu relógio geralmente não se interessa em como sua mente é organizada e controlada por esses eventos — muito menos em qual ideia de mundo é sugerida por um livro, pela televisão ou por um relógio. Mas há homens e mulheres que notaram essas coisas, especialmente em nossos tempos. Lewis Mumford, por exemplo, foi um dos grandes observadores. Ele não é do tipo de homem que olha para um relógio apenas para ver as horas. Não que lhe falte interesse no conteúdo dos relógios, que é uma preocupação de todas as pessoas a cada instante, mas ele está muito mais interessado em como um relógio cria a ideia de “instante a instante”. Ele se dedica à filosofia dos relógios, aos relógios como metáfora — tema sobre o qual nossa educação pouco falou e sobre o qual os relojoeiros nada disseram. “O relógio”, concluiu Mumford, “é uma máquina de poder cujo ‘produto’ são segundos e minutos.” Ao fabricar tal produto, o relógio tem o efeito de dissociar o tempo dos eventos humanos e, assim, alimenta a crença em um mundo independente de sequências matematicamente mensuráveis. O “instante a instante”, ao que parece, não é concepção de Deus, nem da natureza. É o ser humano conversando consigo mesmo sobre — e através de — uma máquina que ele próprio criou. No grande livro Técnica e Civilização, Mumford mostra como, a partir do século XIV, o relógio nos transformou em guardiões do tempo, depois em poupadores de tempo e agora em servidores do tempo. Nesse processo, aprendemos a irreverência em relação ao sol e às estações, pois em um mundo feito de segundos e minutos, a autoridade da natureza foi suplantada. De fato, como Mumford aponta, com a invenção do relógio, a Eternidade deixou de servir como medida e foco dos eventos humanos. E assim, embora poucos imaginassem a conexão, o inexorável tique-taque do relógio pode ter tido mais a ver com o enfraquecimento da supremacia de Deus do que todos os tratados produzidos pelos filósofos do Iluminismo; isto é, o relógio introduziu uma nova forma de conversa entre o ser humano e Deus — uma conversa na qual Deus parece ter sido o perdedor. Talvez Moisés devesse ter incluído outro mandamento: Não farás representações mecânicas do tempo.”
“Uma pessoa que lê um livro, assiste à televisão ou olha para o seu relógio geralmente não se interessa em como sua mente é organizada e controlada por esses eventos — muito menos em qual ideia de mundo é sugerida por um livro, pela televisão ou por um relógio. Mas há homens e mulheres que notaram essas coisas, especialmente em nossos tempos. Lewis Mumford, por exemplo, foi um dos grandes observadores. Ele não é do tipo de homem que olha para um relógio apenas para ver as horas. Não que lhe falte interesse no conteúdo dos relógios, que é uma preocupação de todas as pessoas a cada instante, mas ele está muito mais interessado em como um relógio cria a ideia de “instante a instante”. Ele se dedica à filosofia dos relógios, aos relógios como metáfora — tema sobre o qual nossa educação pouco falou e sobre o qual os relojoeiros nada disseram. “O relógio”, concluiu Mumford, “é uma máquina de poder cujo ‘produto’ são segundos e minutos.” Ao fabricar tal produto, o relógio tem o efeito de dissociar o tempo dos eventos humanos e, assim, alimenta a crença em um mundo independente de sequências matematicamente mensuráveis. O “instante a instante”, ao que parece, não é concepção de Deus, nem da natureza. É o ser humano conversando consigo mesmo sobre — e através de — uma máquina que ele próprio criou. No grande livro Técnica e Civilização, Mumford mostra como, a partir do século XIV, o relógio nos transformou em guardiões do tempo, depois em poupadores de tempo e agora em servidores do tempo. Nesse processo, aprendemos a irreverência em relação ao sol e às estações, pois em um mundo feito de segundos e minutos, a autoridade da natureza foi suplantada. De fato, como Mumford aponta, com a invenção do relógio, a Eternidade deixou de servir como medida e foco dos eventos humanos. E assim, embora poucos imaginassem a conexão, o inexorável tique-taque do relógio pode ter tido mais a ver com o enfraquecimento da supremacia de Deus do que todos os tratados produzidos pelos filósofos do Iluminismo; isto é, o relógio introduziu uma nova forma de conversa entre o ser humano e Deus — uma conversa na qual Deus parece ter sido o perdedor. Talvez Moisés devesse ter incluído outro mandamento: Não farás representações mecânicas do tempo.”
NÃO EXISTE "UM" TZOLK'IN
Existem MÚLTIPLAS tradições vivas, cada uma com:
Interpretações diferentes dos mesmos dias
Ênfases diferentes nos números
Práticas rituais diferentes
Contextos culturais diferentes
E TODAS são "autênticas" dentro de seus próprios contextos!
Por que isso acontece:
1. GEOGRAFIA
Momostenango ≠ Chichicastenango ≠ outras comunidades Quiché ≠ comunidades Kaqchikel ≠ comunidades Mam...
A própria Barbara Tedlock documenta isso! Ela mostra que:
Em Momostenango, Ak'ab'al é dia de casamento
Em Chichicastenango, Ak'ab'al é dia de bruxaria/calúnia
Ambos estão "certos" dentro de suas práticas locais
2. LINHAGEM DE ENSINO
Cada daykeeper aprende com seu professor, que aprendeu com o dele...
Tradição oral = variações naturais
Ênfases diferentes dependendo da linhagem
Experiências pessoais que moldam interpretações
3. FUNÇÃO SOCIAL
Um daykeeper que trabalha principalmente com CURA vai enfatizar aspectos diferentes
Um daykeeper que trabalha com AGRICULTURA vai enfatizar outros
Um daykeeper que trabalha com POLÍTICA/COMUNIDADE vai enfatizar outros ainda
4. TEMPO
A tradição é VIVA = ela muda, se adapta, responde ao contexto atual
O que José Argüelles fez:
Ele olhou pra essa bagunça toda e pensou: "Caralho, isso é complexo demais, cheio de contradições, impossível de sistematizar... VOU CRIAR MEU PRÓPRIO SISTEMA!"
E criou o "Dreamspell" / "Encantamento do Sonho":
Pegou ALGUNS elementos do Tzolk'in
INVENTOU outros (tipo os "tons galácticos")
Criou um sistema FECHADO, "arrumadinho", sem contradições
Vendeu como "o verdadeiro calendário maya"
Foi apropriação cultural? SIM. Foi simplificação excessiva? SIM. Mas resolveu o problema da complexidade? TAMBÉM SIM.
Existem MÚLTIPLAS tradições vivas, cada uma com:
Interpretações diferentes dos mesmos dias
Ênfases diferentes nos números
Práticas rituais diferentes
Contextos culturais diferentes
E TODAS são "autênticas" dentro de seus próprios contextos!
Por que isso acontece:
1. GEOGRAFIA
Momostenango ≠ Chichicastenango ≠ outras comunidades Quiché ≠ comunidades Kaqchikel ≠ comunidades Mam...
A própria Barbara Tedlock documenta isso! Ela mostra que:
Em Momostenango, Ak'ab'al é dia de casamento
Em Chichicastenango, Ak'ab'al é dia de bruxaria/calúnia
Ambos estão "certos" dentro de suas práticas locais
2. LINHAGEM DE ENSINO
Cada daykeeper aprende com seu professor, que aprendeu com o dele...
Tradição oral = variações naturais
Ênfases diferentes dependendo da linhagem
Experiências pessoais que moldam interpretações
3. FUNÇÃO SOCIAL
Um daykeeper que trabalha principalmente com CURA vai enfatizar aspectos diferentes
Um daykeeper que trabalha com AGRICULTURA vai enfatizar outros
Um daykeeper que trabalha com POLÍTICA/COMUNIDADE vai enfatizar outros ainda
4. TEMPO
A tradição é VIVA = ela muda, se adapta, responde ao contexto atual
O que José Argüelles fez:
Ele olhou pra essa bagunça toda e pensou: "Caralho, isso é complexo demais, cheio de contradições, impossível de sistematizar... VOU CRIAR MEU PRÓPRIO SISTEMA!"
E criou o "Dreamspell" / "Encantamento do Sonho":
Pegou ALGUNS elementos do Tzolk'in
INVENTOU outros (tipo os "tons galácticos")
Criou um sistema FECHADO, "arrumadinho", sem contradições
Vendeu como "o verdadeiro calendário maya"
Foi apropriação cultural? SIM. Foi simplificação excessiva? SIM. Mas resolveu o problema da complexidade? TAMBÉM SIM.
Trabalhar com sistemas vivos é complexo, eles são múltiplos e contraditórios por natureza. Não existe interpretação correta, existe como você SENTE, experimenta e corporifica o tempo.
o rebosteio
Argüelles inventou terminologia medieval/fantástica
Fonte: Comparação Dreamspell vs. fontes tradicionais
"Castelos", "magos", "dragões" = invenção dele
Não existem em tradição maya
19. Argüelles inventou termos: "selos", "tons", "ondas encantadas", "castelos"
Fonte: Literatura Dreamspell
Terminologia não existe em fontes tradicionais
Criação para tornar "palatável" para new age ocidental
20. Alguns "selos" de Argüelles não têm relação com nawales originais
Fonte: Comparação etimológica
Exemplo que você deu: Jaguar (Ix) virou "Mago" (confusão com outro dia)
Distorções para encaixar na narrativa dele
21. A matriz de Argüelles é em grade quadrada, não espiral
Fonte: Representação visual do Dreamspell
Tradicionalmente pode ser representado em espiral ou circular
Argüelles escolheu grade 13x20 retangular
Argüelles inventou terminologia medieval/fantástica
Fonte: Comparação Dreamspell vs. fontes tradicionais
"Castelos", "magos", "dragões" = invenção dele
Não existem em tradição maya
19. Argüelles inventou termos: "selos", "tons", "ondas encantadas", "castelos"
Fonte: Literatura Dreamspell
Terminologia não existe em fontes tradicionais
Criação para tornar "palatável" para new age ocidental
20. Alguns "selos" de Argüelles não têm relação com nawales originais
Fonte: Comparação etimológica
Exemplo que você deu: Jaguar (Ix) virou "Mago" (confusão com outro dia)
Distorções para encaixar na narrativa dele
21. A matriz de Argüelles é em grade quadrada, não espiral
Fonte: Representação visual do Dreamspell
Tradicionalmente pode ser representado em espiral ou circular
Argüelles escolheu grade 13x20 retangular

METODOLOGIA
METODOLOGIA
Essa pesquisa pretende desdar o nó ao redor do Tzolkin, uma vez que há pouquíssima referência brasileira com bases culturais precisas e a grande maioria do ensinamento de José Arguelles - por onde o Tzolkin foi mais disseminado, não se baseia na tradição original.
SOBRE A METODOLOGIA DESTE PESQUISA
"260 Dias é um sistema de atenção temporal inspirado no Tzolk'in/Cholq'ij maya, calendário sagrado de 260 dias praticado há milênios por povos mayas da Guatemala mas reconhece que o ciclo de 260 dias é patrimônio mesoamericano mais amplo, e possui variações regionais.
Esta PESQUISA NÃO É:
Uma apresentação do 'Tzolk'in autêntico' (não existe 'um' Tzolk'in - há variações entre comunidades)
Autorizado por autoridades mayas tradicionais
Ensinamento de prática ritual maya (para isso, procure ajq'ij mayas / daykeepers)
Capaz de substituir uma leitura completa feita por alguém especializado, como daykeeper
Baseado no Dreamspell de José Argüelles (que criou sistema separado nos anos 80)
Esta pesquisa É:
Uma síntese de múltiplas fontes mayas (com citações claras)
Uma adaptação para contexto urbano/contemporâneo
Um experimento de 'tradução consciente' entre culturas
Uma ferramenta para desenvolver atenção corporificada ao tempo
FONTES PRINCIPAIS:
Barbara Tedlock - "Time and the Highland Maya" (Momostenango)
Eduardo Ferronato - daykeeper de Nahualá (comunicações pessoais)
"Introduction to Maya Hieroglyphs" por Harri Kettunen & Christophe Helmke (2020)
Davies, Diane. Maya Archaeologist. Educational resources on Maya calendar.
DECISÕES METODOLÓGICAS:
Sobre a contagem: Respeitamos a contagem ininterrupta tradicional (não seguimos Dreamspell que ignora ano bissexto).
Sobre interpretações: Quando fontes divergem, apresentamos múltiplas perspectivas. Quando criamos interpretação própria, sinalizamos claramente.
Sobre números (1-13): Como há pouca documentação etnográfica específica sobre os números, trabalhamos com:
Indicações de Eduardo Ferronato (Nahualá)
Numerologia tradicional (consciente coletivo)
Reconhecendo que é recorte interpretativo
Sobre nomes dos nawales: Usamos nomes em português que buscam equilibrar:
Precisão (respeito ao significado K'iche')
Acessibilidade (sem jargão místico excessivo)
Função (o que o nawal FAZ, não apenas o que 'representa')
Este trabalho só é possível porque muitas pessoas mantiveram viva a contagem por séculos, inclusive durante genocídio e repressão. Se você quer aprender o Cholq'ij tradicional, procure fontes mayas diretas. Este projeto pretende honrar a sabedoria ancestral e reconhecer que meu acesso a ela é sempre parcial e mediado.
Essa pesquisa pretende desdar o nó ao redor do Tzolkin, uma vez que há pouquíssima referência brasileira com bases culturais precisas e a grande maioria do ensinamento de José Arguelles - por onde o Tzolkin foi mais disseminado, não se baseia na tradição original.
SOBRE A METODOLOGIA DESTE PESQUISA
"260 Dias é um sistema de atenção temporal inspirado no Tzolk'in/Cholq'ij maya, calendário sagrado de 260 dias praticado há milênios por povos mayas da Guatemala mas reconhece que o ciclo de 260 dias é patrimônio mesoamericano mais amplo, e possui variações regionais.
Esta PESQUISA NÃO É:
Uma apresentação do 'Tzolk'in autêntico' (não existe 'um' Tzolk'in - há variações entre comunidades)
Autorizado por autoridades mayas tradicionais
Ensinamento de prática ritual maya (para isso, procure ajq'ij mayas / daykeepers)
Capaz de substituir uma leitura completa feita por alguém especializado, como daykeeper
Baseado no Dreamspell de José Argüelles (que criou sistema separado nos anos 80)
Esta pesquisa É:
Uma síntese de múltiplas fontes mayas (com citações claras)
Uma adaptação para contexto urbano/contemporâneo
Um experimento de 'tradução consciente' entre culturas
Uma ferramenta para desenvolver atenção corporificada ao tempo
FONTES PRINCIPAIS:
Barbara Tedlock - "Time and the Highland Maya" (Momostenango)
Eduardo Ferronato - daykeeper de Nahualá (comunicações pessoais)
"Introduction to Maya Hieroglyphs" por Harri Kettunen & Christophe Helmke (2020)
Davies, Diane. Maya Archaeologist. Educational resources on Maya calendar.
DECISÕES METODOLÓGICAS:
Sobre a contagem: Respeitamos a contagem ininterrupta tradicional (não seguimos Dreamspell que ignora ano bissexto).
Sobre interpretações: Quando fontes divergem, apresentamos múltiplas perspectivas. Quando criamos interpretação própria, sinalizamos claramente.
Sobre números (1-13): Como há pouca documentação etnográfica específica sobre os números, trabalhamos com:
Indicações de Eduardo Ferronato (Nahualá)
Numerologia tradicional (consciente coletivo)
Reconhecendo que é recorte interpretativo
Sobre nomes dos nawales: Usamos nomes em português que buscam equilibrar:
Precisão (respeito ao significado K'iche')
Acessibilidade (sem jargão místico excessivo)
Função (o que o nawal FAZ, não apenas o que 'representa')
Este trabalho só é possível porque muitas pessoas mantiveram viva a contagem por séculos, inclusive durante genocídio e repressão. Se você quer aprender o Cholq'ij tradicional, procure fontes mayas diretas. Este projeto pretende honrar a sabedoria ancestral e reconhecer que meu acesso a ela é sempre parcial e mediado.