Céu e Terra

CÉU E TERRA

Colocar-se diante do mistério como aprendiz: qualquer sistema que te ajude a fazer isso é sagrado.

Se todo dia você se olha com consciência - através de qualquer símbolo, estrutura e/ou método que sistematiza fragmentos dessa consciência, a combinação desse saber com a sua intenção evolutiva cria um arco narrativo que naturalmente te convida ao movimento - e isso invariavelmente te levará a vias evolutivas. Não se limita a definições de certo e errado, religioso ou esotérico, inventado ou real, porque não é sobre a natureza do conhecimento, mas sobre o vínculo que você cria com ele, e a partir desse vínculo, o sentido surge.

Se o sentido depende da sua relação com algo, isso te coloca como responsável por criar sentidos, ou seja, determinar o "algo" - mesmo que venha de sistemas externos, a criação de sentidos é individual e intransferível. Porque é você que se relaciona.

Símbolos não são estruturas fixas, eles fazem parte de uma linguagem viva capaz de provocar a nossa consciência. Não é tanto sobre uma resposta a ser encontrada, mas sobre o estado ativo de perceber-se vinculado com padrões de consciência que se repetem para todos nós, seres humanos. E enquanto seres humanos, o que nos transforma não é o outro, seja esse outro uma pessoa ou um símbolo, e sim a nossa forma de relacionar com ele.

Criar espaços de observação joga luz em como a gente se relaciona - com os símbolos, com o tempo, com nós mesmos, revela padrões, possibilita ajustes. Abre caminho para outras buscas, escancara forças e fraquezas, e isso expande nossa consciência. Esse efeito se dá a partir da combinação de 3 coisas: ritmo, espelhamento e intenção.

Ritmo significa ação e intervalo variados. Não-simétricos, para ser gostoso, carece dinamismo. O dinamismo enquanto método de manter-se constante, de se manter desejante da prática, de saber-se cíclico e permitir-se a variação da própria natureza.

Entender-se céu-e-terra, mistério-e-água, esse é o primeiro padrão. Tornar-se um com a natureza. Na cosmologia maia, o ser humano foi feito de milho. Quão simbólico é ser feito do que nos alimenta, que nos é dado pela terra, e como isso nos torna a terra. Feito pelos deuses, para que pudessemos experimentar outras consciências, e como isso nos torna o céu. Tudo é reflexo, o espelhamento é por onde aprendemos, é onde refletimos quem somos. Onde nos vemos e podemos reconhecer e/ou interferir na nossa própria existência a partir desse contato.

A partir da intenção consciente que nos relembra modeladores. Mas principalmente nos evoca a presença. A intenção consciente não é necessariamente a busca obstinada, incansável, racional por algo. Mas a imaginação que se permite um sonho, e se move espontaneamente num campo criado para alcançá-lo, como um cientista que derruba um recipiente de forma inesperada e faz uma descoberta. E por isso, há de nunca se confundir intenção com planejamento. A intenção pode ser despretensiosa, o planejamento racionalizado engessa um retrato de certo e errado. É um jeito moderno de mover-se que nos desconecta dos ciclos.

Por isso ritmo, espelhamento e intenção consciente são formas de retomar nossa autoridade espiritual, porque nos mostram como mesclar tempo de maturação, sentidos e desejos para criar uma realidade potente. O Tzolkin nos ajuda a acessar os três através de forças arquétipicas que nos conectam com o cosmos a partir de símbolos.

Existem as forças. Essas forças são reais. Existe o cosmos. O cosmos é real.

Quando um símbolo nos ajuda a viver melhor no mundo, ele cumpre sua função.

Quando ele nos afasta da vida concreta, deixa de ser ferramenta e se torna muitas coisas: um enfeite através do qual terceirizamos nossa própria responsabilidade, um artefato que pode decidir por nós, uma ilusão de controle, uma forma de abrir mão da nossa autonomia espiritual.

Por isso é importante relacionar-se com as ferramentas a partir da sua autoridade espiritual.

O Tzolkin é uma ferramenta que se dividiu entre uma versão originária usada por grupos específicos, principalmente mayas contemporâneos, e o Dreamspell, uma reinterpretação do Tzolkin usada por muitos, místicos, curiosos, terapeutas, pessoas em busca de uma evolução consciencial a partir do tempo, que se identificaram com os símbolos ou que buscam alternativas para o calendário gregoriano e seu campo opressor.

Há de entender-se: seja Tzolkin ou Dreamspell, estamos falando de ferramentas: criadas em momentos e contextos específicos à sua época.

Traço aqui um paralelo com o tarô para exemplificar que sistemas arquetípicos naturalmente passam por mutações para que possam dialogar sobre outros tempos, em outros contextos. Eles não são fixas, porque enquanto experimentamos formas de viver, ampliamos nossos repertórios, e esses repertórios ressignificam os símbolos. Esses símbolos podem parecer estáticos, ou até mesmo fixos, mas na realidade são mutáveis, estão em crescimento, e coisas acontecem quando a gente se relaciona com eles, porque eles são fragmentos da consciência comprimidos em significados genéricos para que todos possamos acessar, e um fragmento da consciência não é teórico, é prático. Ele nos ensina através das experiências, dos acontecimentos, das nossas relações.

Essas ferramentas foram inventadas pela humanidade para que sejam úteis. E para serem úteis, precisamos encontrar vias de usá-las, de nos misturar com elas à nossa maneira, de encontrar nosso jeito, de continuar inventando sentido.

Positivar nossa relação com ferramentas, de qualquer natureza - seja ela astrológica, védica, numerológica, i-ching, e tantos outros oráculos, métodos, estruturas para buscar sentidos, caminhos, respostas às grandes perguntas, começa por atribuir a essas ferramentas o seu lugar de ferramenta.

Dar lugar de ferramenta é reconhecer que ela não age sozinha. Agimos através dela. Ela age através de nós. Como artista que se funde com pincel em estado de flow, a ferramenta em estado de relação deixa de ser um objeto e se torna extensão do corpo. Nesse campo extendido, abre-se espaço para novas consciências emergirem.

Usar qualquer ferramenta dessa forma as torna dispositivos de provocação, de identificação, de desidentificação, de organização evolutiva, de organização de processos internos, de autodescoberta.

Tornar-se o Tzolkin não é permitir que ele diga quem somos ou quem devemos ser, mas ouvir-se de dentro dele.
Quando nos misturamos com suas concretudes, ele nos revela quais são as nossas impermanências. Ao trazer suas certezas, ele nos mostra nossas dúvidas, ao trazer suas forças, nos ensina o caminho da coragem.

A transformação não tem tanto a ver com a precisão matemática ou simbólica, muito menos do estudo intensivo de nenhuma estrutura ou símbolo, tampouco da ordem com a qual nos relacionamos com eles. A transformação acontece a partir da nossa disponibilidade de criar uma relação com essas forças, de aprender com elas.

Essa é uma prática que terá como consequência: aprendizado e reaprendizado - de forma cíclica, até alcançar o ponto irreversível de entendimento que resulta no ponto irreversível do estado interno em que nos tornamos visíveis para nós mesmos e a partir daí, podemos agir a partir daquilo que nos é verdadeiro.

CÉU E TERRA

Colocar-se diante do mistério como aprendiz: qualquer sistema que te ajude a fazer isso é sagrado.

Se todo dia você se olha com consciência - através de qualquer símbolo, estrutura e/ou método que sistematiza fragmentos dessa consciência, a combinação desse saber com a sua intenção evolutiva cria um arco narrativo que naturalmente te convida ao movimento - e isso invariavelmente te levará a vias evolutivas. Não se limita a definições de certo e errado, religioso ou esotérico, inventado ou real, porque não é sobre a natureza do conhecimento, mas sobre o vínculo que você cria com ele, e a partir desse vínculo, o sentido surge.

Se o sentido depende da sua relação com algo, isso te coloca como responsável por criar sentidos, ou seja, determinar o "algo" - mesmo que venha de sistemas externos, a criação de sentidos é individual e intransferível. Porque é você que se relaciona.

Símbolos não são estruturas fixas, eles fazem parte de uma linguagem viva capaz de provocar a nossa consciência. Não é tanto sobre uma resposta a ser encontrada, mas sobre o estado ativo de perceber-se vinculado com padrões de consciência que se repetem para todos nós, seres humanos. E enquanto seres humanos, o que nos transforma não é o outro, seja esse outro uma pessoa ou um símbolo, e sim a nossa forma de relacionar com ele.

Criar espaços de observação joga luz em como a gente se relaciona - com os símbolos, com o tempo, com nós mesmos, revela padrões, possibilita ajustes. Abre caminho para outras buscas, escancara forças e fraquezas, e isso expande nossa consciência. Esse efeito se dá a partir da combinação de 3 coisas: ritmo, espelhamento e intenção.

Ritmo significa ação e intervalo variados. Não-simétricos, para ser gostoso, carece dinamismo. O dinamismo enquanto método de manter-se constante, de se manter desejante da prática, de saber-se cíclico e permitir-se a variação da própria natureza.

Entender-se céu-e-terra, mistério-e-água, esse é o primeiro padrão. Tornar-se um com a natureza. Na cosmologia maia, o ser humano foi feito de milho. Quão simbólico é ser feito do que nos alimenta, que nos é dado pela terra, e como isso nos torna a terra. Feito pelos deuses, para que pudessemos experimentar outras consciências, e como isso nos torna o céu. Tudo é reflexo, o espelhamento é por onde aprendemos, é onde refletimos quem somos. Onde nos vemos e podemos reconhecer e/ou interferir na nossa própria existência a partir desse contato.

A partir da intenção consciente que nos relembra modeladores. Mas principalmente nos evoca a presença. A intenção consciente não é necessariamente a busca obstinada, incansável, racional por algo. Mas a imaginação que se permite um sonho, e se move espontaneamente num campo criado para alcançá-lo, como um cientista que derruba um recipiente de forma inesperada e faz uma descoberta. E por isso, há de nunca se confundir intenção com planejamento. A intenção pode ser despretensiosa, o planejamento racionalizado engessa um retrato de certo e errado. É um jeito moderno de mover-se que nos desconecta dos ciclos.

Por isso ritmo, espelhamento e intenção consciente são formas de retomar nossa autoridade espiritual, porque nos mostram como mesclar tempo de maturação, sentidos e desejos para criar uma realidade potente. O Tzolkin nos ajuda a acessar os três através de forças arquétipicas que nos conectam com o cosmos a partir de símbolos.

Existem as forças. Essas forças são reais. Existe o cosmos. O cosmos é real.

Quando um símbolo nos ajuda a viver melhor no mundo, ele cumpre sua função.

Quando ele nos afasta da vida concreta, deixa de ser ferramenta e se torna muitas coisas: um enfeite através do qual terceirizamos nossa própria responsabilidade, um artefato que pode decidir por nós, uma ilusão de controle, uma forma de abrir mão da nossa autonomia espiritual.

Por isso é importante relacionar-se com as ferramentas a partir da sua autoridade espiritual.

O Tzolkin é uma ferramenta que se dividiu entre uma versão originária usada por grupos específicos, principalmente mayas contemporâneos, e o Dreamspell, uma reinterpretação do Tzolkin usada por muitos, místicos, curiosos, terapeutas, pessoas em busca de uma evolução consciencial a partir do tempo, que se identificaram com os símbolos ou que buscam alternativas para o calendário gregoriano e seu campo opressor.

Há de entender-se: seja Tzolkin ou Dreamspell, estamos falando de ferramentas: criadas em momentos e contextos específicos à sua época.

Traço aqui um paralelo com o tarô para exemplificar que sistemas arquetípicos naturalmente passam por mutações para que possam dialogar sobre outros tempos, em outros contextos. Eles não são fixas, porque enquanto experimentamos formas de viver, ampliamos nossos repertórios, e esses repertórios ressignificam os símbolos. Esses símbolos podem parecer estáticos, ou até mesmo fixos, mas na realidade são mutáveis, estão em crescimento, e coisas acontecem quando a gente se relaciona com eles, porque eles são fragmentos da consciência comprimidos em significados genéricos para que todos possamos acessar, e um fragmento da consciência não é teórico, é prático. Ele nos ensina através das experiências, dos acontecimentos, das nossas relações.

Essas ferramentas foram inventadas pela humanidade para que sejam úteis. E para serem úteis, precisamos encontrar vias de usá-las, de nos misturar com elas à nossa maneira, de encontrar nosso jeito, de continuar inventando sentido.

Positivar nossa relação com ferramentas, de qualquer natureza - seja ela astrológica, védica, numerológica, i-ching, e tantos outros oráculos, métodos, estruturas para buscar sentidos, caminhos, respostas às grandes perguntas, começa por atribuir a essas ferramentas o seu lugar de ferramenta.

Dar lugar de ferramenta é reconhecer que ela não age sozinha. Agimos através dela. Ela age através de nós. Como artista que se funde com pincel em estado de flow, a ferramenta em estado de relação deixa de ser um objeto e se torna extensão do corpo. Nesse campo extendido, abre-se espaço para novas consciências emergirem.

Usar qualquer ferramenta dessa forma as torna dispositivos de provocação, de identificação, de desidentificação, de organização evolutiva, de organização de processos internos, de autodescoberta.

Tornar-se o Tzolkin não é permitir que ele diga quem somos ou quem devemos ser, mas ouvir-se de dentro dele.
Quando nos misturamos com suas concretudes, ele nos revela quais são as nossas impermanências. Ao trazer suas certezas, ele nos mostra nossas dúvidas, ao trazer suas forças, nos ensina o caminho da coragem.

A transformação não tem tanto a ver com a precisão matemática ou simbólica, muito menos do estudo intensivo de nenhuma estrutura ou símbolo, tampouco da ordem com a qual nos relacionamos com eles. A transformação acontece a partir da nossa disponibilidade de criar uma relação com essas forças, de aprender com elas.

Essa é uma prática que terá como consequência: aprendizado e reaprendizado - de forma cíclica, até alcançar o ponto irreversível de entendimento que resulta no ponto irreversível do estado interno em que nos tornamos visíveis para nós mesmos e a partir daí, podemos agir a partir daquilo que nos é verdadeiro.

CÉU E TERRA

Colocar-se diante do mistério como aprendiz: qualquer sistema que te ajude a fazer isso é sagrado.

Se todo dia você se olha com consciência - através de qualquer símbolo, estrutura e/ou método que sistematiza fragmentos dessa consciência, a combinação desse saber com a sua intenção evolutiva cria um arco narrativo que naturalmente te convida ao movimento - e isso invariavelmente te levará a vias evolutivas. Não se limita a definições de certo e errado, religioso ou esotérico, inventado ou real, porque não é sobre a natureza do conhecimento, mas sobre o vínculo que você cria com ele, e a partir desse vínculo, o sentido surge.

Se o sentido depende da sua relação com algo, isso te coloca como responsável por criar sentidos, ou seja, determinar o "algo" - mesmo que venha de sistemas externos, a criação de sentidos é individual e intransferível. Porque é você que se relaciona.

Símbolos não são estruturas fixas, eles fazem parte de uma linguagem viva capaz de provocar a nossa consciência. Não é tanto sobre uma resposta a ser encontrada, mas sobre o estado ativo de perceber-se vinculado com padrões de consciência que se repetem para todos nós, seres humanos. E enquanto seres humanos, o que nos transforma não é o outro, seja esse outro uma pessoa ou um símbolo, e sim a nossa forma de relacionar com ele.

Criar espaços de observação joga luz em como a gente se relaciona - com os símbolos, com o tempo, com nós mesmos, revela padrões, possibilita ajustes. Abre caminho para outras buscas, escancara forças e fraquezas, e isso expande nossa consciência. Esse efeito se dá a partir da combinação de 3 coisas: ritmo, espelhamento e intenção.

Ritmo significa ação e intervalo variados. Não-simétricos, para ser gostoso, carece dinamismo. O dinamismo enquanto método de manter-se constante, de se manter desejante da prática, de saber-se cíclico e permitir-se a variação da própria natureza.

Entender-se céu-e-terra, mistério-e-água, esse é o primeiro padrão. Tornar-se um com a natureza. Na cosmologia maia, o ser humano foi feito de milho. Quão simbólico é ser feito do que nos alimenta, que nos é dado pela terra, e como isso nos torna a terra. Feito pelos deuses, para que pudessemos experimentar outras consciências, e como isso nos torna o céu. Tudo é reflexo, o espelhamento é por onde aprendemos, é onde refletimos quem somos. Onde nos vemos e podemos reconhecer e/ou interferir na nossa própria existência a partir desse contato.

A partir da intenção consciente que nos relembra modeladores. Mas principalmente nos evoca a presença. A intenção consciente não é necessariamente a busca obstinada, incansável, racional por algo. Mas a imaginação que se permite um sonho, e se move espontaneamente num campo criado para alcançá-lo, como um cientista que derruba um recipiente de forma inesperada e faz uma descoberta. E por isso, há de nunca se confundir intenção com planejamento. A intenção pode ser despretensiosa, o planejamento racionalizado engessa um retrato de certo e errado. É um jeito moderno de mover-se que nos desconecta dos ciclos.

Por isso ritmo, espelhamento e intenção consciente são formas de retomar nossa autoridade espiritual, porque nos mostram como mesclar tempo de maturação, sentidos e desejos para criar uma realidade potente. O Tzolkin nos ajuda a acessar os três através de forças arquétipicas que nos conectam com o cosmos a partir de símbolos.

Existem as forças. Essas forças são reais. Existe o cosmos. O cosmos é real.

Quando um símbolo nos ajuda a viver melhor no mundo, ele cumpre sua função.

Quando ele nos afasta da vida concreta, deixa de ser ferramenta e se torna muitas coisas: um enfeite através do qual terceirizamos nossa própria responsabilidade, um artefato que pode decidir por nós, uma ilusão de controle, uma forma de abrir mão da nossa autonomia espiritual.

Por isso é importante relacionar-se com as ferramentas a partir da sua autoridade espiritual.

O Tzolkin é uma ferramenta que se dividiu entre uma versão originária usada por grupos específicos, principalmente mayas contemporâneos, e o Dreamspell, uma reinterpretação do Tzolkin usada por muitos, místicos, curiosos, terapeutas, pessoas em busca de uma evolução consciencial a partir do tempo, que se identificaram com os símbolos ou que buscam alternativas para o calendário gregoriano e seu campo opressor.

Há de entender-se: seja Tzolkin ou Dreamspell, estamos falando de ferramentas: criadas em momentos e contextos específicos à sua época.

Traço aqui um paralelo com o tarô para exemplificar que sistemas arquetípicos naturalmente passam por mutações para que possam dialogar sobre outros tempos, em outros contextos. Eles não são fixas, porque enquanto experimentamos formas de viver, ampliamos nossos repertórios, e esses repertórios ressignificam os símbolos. Esses símbolos podem parecer estáticos, ou até mesmo fixos, mas na realidade são mutáveis, estão em crescimento, e coisas acontecem quando a gente se relaciona com eles, porque eles são fragmentos da consciência comprimidos em significados genéricos para que todos possamos acessar, e um fragmento da consciência não é teórico, é prático. Ele nos ensina através das experiências, dos acontecimentos, das nossas relações.

Essas ferramentas foram inventadas pela humanidade para que sejam úteis. E para serem úteis, precisamos encontrar vias de usá-las, de nos misturar com elas à nossa maneira, de encontrar nosso jeito, de continuar inventando sentido.

Positivar nossa relação com ferramentas, de qualquer natureza - seja ela astrológica, védica, numerológica, i-ching, e tantos outros oráculos, métodos, estruturas para buscar sentidos, caminhos, respostas às grandes perguntas, começa por atribuir a essas ferramentas o seu lugar de ferramenta.

Dar lugar de ferramenta é reconhecer que ela não age sozinha. Agimos através dela. Ela age através de nós. Como artista que se funde com pincel em estado de flow, a ferramenta em estado de relação deixa de ser um objeto e se torna extensão do corpo. Nesse campo extendido, abre-se espaço para novas consciências emergirem.

Usar qualquer ferramenta dessa forma as torna dispositivos de provocação, de identificação, de desidentificação, de organização evolutiva, de organização de processos internos, de autodescoberta.

Tornar-se o Tzolkin não é permitir que ele diga quem somos ou quem devemos ser, mas ouvir-se de dentro dele.
Quando nos misturamos com suas concretudes, ele nos revela quais são as nossas impermanências. Ao trazer suas certezas, ele nos mostra nossas dúvidas, ao trazer suas forças, nos ensina o caminho da coragem.

A transformação não tem tanto a ver com a precisão matemática ou simbólica, muito menos do estudo intensivo de nenhuma estrutura ou símbolo, tampouco da ordem com a qual nos relacionamos com eles. A transformação acontece a partir da nossa disponibilidade de criar uma relação com essas forças, de aprender com elas.

Essa é uma prática que terá como consequência: aprendizado e reaprendizado - de forma cíclica, até alcançar o ponto irreversível de entendimento que resulta no ponto irreversível do estado interno em que nos tornamos visíveis para nós mesmos e a partir daí, podemos agir a partir daquilo que nos é verdadeiro.