Tempo-Corpo

Eu não lembro como o Tzolkin chegou até mim. Também não lembro como cheguei nesse planeta. Sinto que o esquecimento faz parte da aceitação do Mistério. Da nossa pequenez diante Dele.

Nossa mente opera 90% a nível inconsciente, que é responsável por criar nossa realidade, não por questões místicas — apesar que sim também! — mas principalmente porque nossas decisões são tomadas a nível inconsciente. E a linguagem do inconsciente são os símbolos.

Pra que lado fica o futuro? No ocidente, diria-se na frente. No oriente, em alguns lugares, e também em algumas regiões da África, diria-se atrás. E no Tzolkin, digo que o futuro é pra dentro.

O tempo enquanto a possibilidade ininterrupta — até a morte, de manifestarmos nosso ser. Como se o tempo fosse uma tela em branco na qual podemos intervir enquanto temos o sopro da vida.

A relação com o tempo é a relação mais importante a se cultivar. Entender os diferentes tipos de tempo. Que o calendário normal não permite. Misturar-se com o tempo, permitir-se o encantamento.

É sempre interessante perceber como o tempo externo nos moldou sob a ótica da segmentação e da desordem. O tempo enquanto unicamente uma métrica que organiza nossa forma de operar no mundo. Dias úteis. Dias inúteis? Feriados que celebram temas que muitas vezes não fazem sentido, mas o descanso agradece. Um ritmo imposto, não questionado pela maioria.

Quando sinto que o futuro é pra dentro estou falando de um tempo que é o agora. Porque só é possível observar-se — enquanto consciência permanentemente mutante, agora. E ao observar de novo, encontrarei outros aspectos. Esse é um tempo que já existe, é ele que nos devolve a coerência. A percepção nítida das nossas necessidades — muitas vezes soterradas por tantas outras necessidades que criamos, sem questionar até que nossas casas estivessem majoritariamente ocupadas por itens que usamos ocasionalmente. Assim como nossas mentes, nossas relações, nossas escolhas.

E se o tempo é mutante, cíclico, interno — como poderia o corpo ser diferente?

O tempo interno é cíclico. Ele nos devolve à natureza, como fragmentos dela.

O Tzolkin nos devolve a essa natureza porque a sua concepção parte de uma forma de medir o tempo que se baseia no próprio corpo. O que às vezes chamo brincando de calendário humanar.

O primeiro órgão que começa a se desenvolver no corpo é o coração. O último a se formar é o cérebro. A construção das nossas células enquanto espécie é um processo, para além de físico, espiritual. O tempo da gestação — aproximadamente 260 dias, a matriz do Tzolkin, é também um processo de incubação da consciência.

A partir daí entendemos que corpo e tempo estão conectados de muitas formas. A partir daí entendemos que um não existe sem o outro.

A maioria das pessoas usa o corpo como um instrumento separado da consciência. Mecanizado. Robotizado. Essa forma de lidar com as ferramentas — que não se funde a elas, que se separa — entra naquela mesma lógica das segmentações que nos foram ensinadas.

Essa é a ferida primordial que o calendário gregoriano e o sistema capitalista causam juntos. Não é só "tempo é dinheiro". É "você não é seu corpo, você USA seu corpo". Como se usa uma ferramenta. Descartável. Substituível. Sem escuta.

Operar na lógica tempo = dinheiro é também operar na lógica corpo = dinheiro. É essa lógica que faz com que nos vendamos. É essa lógica que nos torna descartáveis.

Escutar o corpo tira o corpo do lugar de ferramenta e coloca ele no lugar de alquimização. O corpo não é meio. O corpo é campo de transmutação.

Assim como um artista se funde com o próprio pincel quando em estado de flow. Esse estado de comunhão que devolve o encantamento, que nos permite agir a partir da consciência unificada.

Encantamento = não-separação.

Quando você se funde com o corpo, você se funde com tudo. Quando você trata o corpo como ferramenta, você se separa de tudo.

Desencantamento = segmentação.

E quando você se funde com o corpo, quando você entende que corpo e tempo são indissociáveis, algo radical acontece: você se torna o tempo.

Você faz parte do tempo. Você se soma com o tempo, e isso muda a forma como você organiza a sua vida.

Você, enquanto fractal da composição do tempo, passa a fazer parte ativa de uma composição cósmica. Não como indivíduo, apenas, mas como uma energia disponível para ativar novas consciências no planeta.

O Tzolkin carrega em sua origem uma energia primordial. E essa qualidade nos remonta nossa essência. Nos remonta nossa animalidade e também nossa consciência em estado puro. Nos faz perceber, ao nos conectar com esse campo unificado, que temos tudo que precisamos dentro de nós. Que assim como medir o tempo pode ser simples. Cuidar do corpo pode ser simples. Viver uma vida abundante pode ser simples.

A qualidade daquilo que é primordial desmonta os excessos. E ao desmontar os excessos percebemos também que muitas vezes aquilo que nos adoece enquanto sociedade é exatamente essa ideia de incompletude que nos leva a consumir — informações, coisas, relações, como se isso pudesse nos salvar de um vazio que é... nossa natureza em mutação.

O Tzolkin nos devolve a gerência do tempo. Porque nos convida a observar: quem sou eu quando o kin é vento, quais energias me desafiam, quais energias me movimentam, quais energias me pedem recolhimento. E a partir disso eu posso gerir meu tempo de um lugar não-robotizado. De um lugar onde eu e o tempo nos tornamos cada vez mais uma coisa só.

Se o tempo não é fixo, como posso ser fixa?

O Tzolkin me mostrou que eu não sou fixa. Que a ideia de personalidade se equivoca. Porque se a cada dia eu me somo com a energia do dia, eu mudo quem sou.

Também sinto que o kin de nascimento é sim um mapa, mas não um mapa do que sei ser, mas um mapa do que me leva em direção a minha versão essencial. Não é sobre ser melhor ou pior, mas despir-se até mesmo de desejo de ser melhor, ou de entender-se pior. E entender-se a todo momento atraindo e repelindo situações, pessoas e coisas conforme o meu próprio campo — campo é também um lugar onde se cultiva os desejos.

O vazio é a tela em branco. Ele deixa de ser um incômodo, e passa a ser um campo fértil — um lugar onde todas as possibilidades podem ser semeadas.

Fundir-se com o tempo é entender-se ilusório e real. Entender-se uma peça de uma engrenagem infinita. Que muda de forma, que acopla e desacopla velhas e novas consciências. Entender que qualquer pedaço de consciência que seja tem o poder de transformar o seu redor.

Entender-se cocriador, modulador, entender-se frequência, entender-se movimento. Entender-se processo.

Um dia vivido nesse estado é feito de observar-se: não só como espectador, mas como senciente, dotado de mãos, de desejos, de motivos, e colocar-se em movimento a partir desse lugar.

De voltar a dialogar com o cosmos, não de um lugar religioso, mas de um lugar de curiosidade. De instinto. De maravilhamento. É esse maravilhamento que nos conecta com o todo unificado.

Fazemos parte de um universo ilimitado, mesmo com todas as nossas limitações. Quando encostamos no divino, toda a existência passa a ser mais leve. Não é uma resposta que chega até nós, mas um sentimento de processo. De não-pressa. Onde o espírito integra a consciência como um evento infinito, do qual sempre faremos parte.

——————————————————————————
/ Luba Uac
260 dias [ 02 ] / 2025, 2026

Eu não lembro como o Tzolkin chegou até mim. Também não lembro como cheguei nesse planeta. Sinto que o esquecimento faz parte da aceitação do Mistério. Da nossa pequenez diante Dele.

Nossa mente opera 90% a nível inconsciente, que é responsável por criar nossa realidade, não por questões místicas — apesar que sim também! — mas principalmente porque nossas decisões são tomadas a nível inconsciente. E a linguagem do inconsciente são os símbolos.

Pra que lado fica o futuro? No ocidente, diria-se na frente. No oriente, em alguns lugares, e também em algumas regiões da África, diria-se atrás. E no Tzolkin, digo que o futuro é pra dentro.

O tempo enquanto a possibilidade ininterrupta — até a morte, de manifestarmos nosso ser. Como se o tempo fosse uma tela em branco na qual podemos intervir enquanto temos o sopro da vida.

A relação com o tempo é a relação mais importante a se cultivar. Entender os diferentes tipos de tempo. Que o calendário normal não permite. Misturar-se com o tempo, permitir-se o encantamento.

É sempre interessante perceber como o tempo externo nos moldou sob a ótica da segmentação e da desordem. O tempo enquanto unicamente uma métrica que organiza nossa forma de operar no mundo. Dias úteis. Dias inúteis? Feriados que celebram temas que muitas vezes não fazem sentido, mas o descanso agradece. Um ritmo imposto, não questionado pela maioria.

Quando sinto que o futuro é pra dentro estou falando de um tempo que é o agora. Porque só é possível observar-se — enquanto consciência permanentemente mutante, agora. E ao observar de novo, encontrarei outros aspectos. Esse é um tempo que já existe, é ele que nos devolve a coerência. A percepção nítida das nossas necessidades — muitas vezes soterradas por tantas outras necessidades que criamos, sem questionar até que nossas casas estivessem majoritariamente ocupadas por itens que usamos ocasionalmente. Assim como nossas mentes, nossas relações, nossas escolhas.

E se o tempo é mutante, cíclico, interno — como poderia o corpo ser diferente?

O tempo interno é cíclico. Ele nos devolve à natureza, como fragmentos dela.

O Tzolkin nos devolve a essa natureza porque a sua concepção parte de uma forma de medir o tempo que se baseia no próprio corpo. O que às vezes chamo brincando de calendário humanar.

O primeiro órgão que começa a se desenvolver no corpo é o coração. O último a se formar é o cérebro. A construção das nossas células enquanto espécie é um processo, para além de físico, espiritual. O tempo da gestação — aproximadamente 260 dias, a matriz do Tzolkin, é também um processo de incubação da consciência.

A partir daí entendemos que corpo e tempo estão conectados de muitas formas. A partir daí entendemos que um não existe sem o outro.

A maioria das pessoas usa o corpo como um instrumento separado da consciência. Mecanizado. Robotizado. Essa forma de lidar com as ferramentas — que não se funde a elas, que se separa — entra naquela mesma lógica das segmentações que nos foram ensinadas.

Essa é a ferida primordial que o calendário gregoriano e o sistema capitalista causam juntos. Não é só "tempo é dinheiro". É "você não é seu corpo, você USA seu corpo". Como se usa uma ferramenta. Descartável. Substituível. Sem escuta.

Operar na lógica tempo = dinheiro é também operar na lógica corpo = dinheiro. É essa lógica que faz com que nos vendamos. É essa lógica que nos torna descartáveis.

Escutar o corpo tira o corpo do lugar de ferramenta e coloca ele no lugar de alquimização. O corpo não é meio. O corpo é campo de transmutação.

Assim como um artista se funde com o próprio pincel quando em estado de flow. Esse estado de comunhão que devolve o encantamento, que nos permite agir a partir da consciência unificada.

Encantamento = não-separação.

Quando você se funde com o corpo, você se funde com tudo. Quando você trata o corpo como ferramenta, você se separa de tudo.

Desencantamento = segmentação.

E quando você se funde com o corpo, quando você entende que corpo e tempo são indissociáveis, algo radical acontece: você se torna o tempo.

Você faz parte do tempo. Você se soma com o tempo, e isso muda a forma como você organiza a sua vida.

Você, enquanto fractal da composição do tempo, passa a fazer parte ativa de uma composição cósmica. Não como indivíduo, apenas, mas como uma energia disponível para ativar novas consciências no planeta.

O Tzolkin carrega em sua origem uma energia primordial. E essa qualidade nos remonta nossa essência. Nos remonta nossa animalidade e também nossa consciência em estado puro. Nos faz perceber, ao nos conectar com esse campo unificado, que temos tudo que precisamos dentro de nós. Que assim como medir o tempo pode ser simples. Cuidar do corpo pode ser simples. Viver uma vida abundante pode ser simples.

A qualidade daquilo que é primordial desmonta os excessos. E ao desmontar os excessos percebemos também que muitas vezes aquilo que nos adoece enquanto sociedade é exatamente essa ideia de incompletude que nos leva a consumir — informações, coisas, relações, como se isso pudesse nos salvar de um vazio que é... nossa natureza em mutação.

O Tzolkin nos devolve a gerência do tempo. Porque nos convida a observar: quem sou eu quando o kin é vento, quais energias me desafiam, quais energias me movimentam, quais energias me pedem recolhimento. E a partir disso eu posso gerir meu tempo de um lugar não-robotizado. De um lugar onde eu e o tempo nos tornamos cada vez mais uma coisa só.

Se o tempo não é fixo, como posso ser fixa?

O Tzolkin me mostrou que eu não sou fixa. Que a ideia de personalidade se equivoca. Porque se a cada dia eu me somo com a energia do dia, eu mudo quem sou.

Também sinto que o kin de nascimento é sim um mapa, mas não um mapa do que sei ser, mas um mapa do que me leva em direção a minha versão essencial. Não é sobre ser melhor ou pior, mas despir-se até mesmo de desejo de ser melhor, ou de entender-se pior. E entender-se a todo momento atraindo e repelindo situações, pessoas e coisas conforme o meu próprio campo — campo é também um lugar onde se cultiva os desejos.

O vazio é a tela em branco. Ele deixa de ser um incômodo, e passa a ser um campo fértil — um lugar onde todas as possibilidades podem ser semeadas.

Fundir-se com o tempo é entender-se ilusório e real. Entender-se uma peça de uma engrenagem infinita. Que muda de forma, que acopla e desacopla velhas e novas consciências. Entender que qualquer pedaço de consciência que seja tem o poder de transformar o seu redor.

Entender-se cocriador, modulador, entender-se frequência, entender-se movimento. Entender-se processo.

Um dia vivido nesse estado é feito de observar-se: não só como espectador, mas como senciente, dotado de mãos, de desejos, de motivos, e colocar-se em movimento a partir desse lugar.

De voltar a dialogar com o cosmos, não de um lugar religioso, mas de um lugar de curiosidade. De instinto. De maravilhamento. É esse maravilhamento que nos conecta com o todo unificado.

Fazemos parte de um universo ilimitado, mesmo com todas as nossas limitações. Quando encostamos no divino, toda a existência passa a ser mais leve. Não é uma resposta que chega até nós, mas um sentimento de processo. De não-pressa. Onde o espírito integra a consciência como um evento infinito, do qual sempre faremos parte.

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/ Luba Uac
260 dias [ 02 ] / 2025, 2026

Eu não lembro como o Tzolkin chegou até mim. Também não lembro como cheguei nesse planeta. Sinto que o esquecimento faz parte da aceitação do Mistério. Da nossa pequenez diante Dele.

Nossa mente opera 90% a nível inconsciente, que é responsável por criar nossa realidade, não por questões místicas — apesar que sim também! — mas principalmente porque nossas decisões são tomadas a nível inconsciente. E a linguagem do inconsciente são os símbolos.

Pra que lado fica o futuro? No ocidente, diria-se na frente. No oriente, em alguns lugares, e também em algumas regiões da África, diria-se atrás. E no Tzolkin, digo que o futuro é pra dentro.

O tempo enquanto a possibilidade ininterrupta — até a morte, de manifestarmos nosso ser. Como se o tempo fosse uma tela em branco na qual podemos intervir enquanto temos o sopro da vida.

A relação com o tempo é a relação mais importante a se cultivar. Entender os diferentes tipos de tempo. Que o calendário normal não permite. Misturar-se com o tempo, permitir-se o encantamento.

É sempre interessante perceber como o tempo externo nos moldou sob a ótica da segmentação e da desordem. O tempo enquanto unicamente uma métrica que organiza nossa forma de operar no mundo. Dias úteis. Dias inúteis? Feriados que celebram temas que muitas vezes não fazem sentido, mas o descanso agradece. Um ritmo imposto, não questionado pela maioria.

Quando sinto que o futuro é pra dentro estou falando de um tempo que é o agora. Porque só é possível observar-se — enquanto consciência permanentemente mutante, agora. E ao observar de novo, encontrarei outros aspectos. Esse é um tempo que já existe, é ele que nos devolve a coerência. A percepção nítida das nossas necessidades — muitas vezes soterradas por tantas outras necessidades que criamos, sem questionar até que nossas casas estivessem majoritariamente ocupadas por itens que usamos ocasionalmente. Assim como nossas mentes, nossas relações, nossas escolhas.

E se o tempo é mutante, cíclico, interno — como poderia o corpo ser diferente?

O tempo interno é cíclico. Ele nos devolve à natureza, como fragmentos dela.

O Tzolkin nos devolve a essa natureza porque a sua concepção parte de uma forma de medir o tempo que se baseia no próprio corpo. O que às vezes chamo brincando de calendário humanar.

O primeiro órgão que começa a se desenvolver no corpo é o coração. O último a se formar é o cérebro. A construção das nossas células enquanto espécie é um processo, para além de físico, espiritual. O tempo da gestação — aproximadamente 260 dias, a matriz do Tzolkin, é também um processo de incubação da consciência.

A partir daí entendemos que corpo e tempo estão conectados de muitas formas. A partir daí entendemos que um não existe sem o outro.

A maioria das pessoas usa o corpo como um instrumento separado da consciência. Mecanizado. Robotizado. Essa forma de lidar com as ferramentas — que não se funde a elas, que se separa — entra naquela mesma lógica das segmentações que nos foram ensinadas.

Essa é a ferida primordial que o calendário gregoriano e o sistema capitalista causam juntos. Não é só "tempo é dinheiro". É "você não é seu corpo, você USA seu corpo". Como se usa uma ferramenta. Descartável. Substituível. Sem escuta.

Operar na lógica tempo = dinheiro é também operar na lógica corpo = dinheiro. É essa lógica que faz com que nos vendamos. É essa lógica que nos torna descartáveis.

Escutar o corpo tira o corpo do lugar de ferramenta e coloca ele no lugar de alquimização. O corpo não é meio. O corpo é campo de transmutação.

Assim como um artista se funde com o próprio pincel quando em estado de flow. Esse estado de comunhão que devolve o encantamento, que nos permite agir a partir da consciência unificada.

Encantamento = não-separação.

Quando você se funde com o corpo, você se funde com tudo. Quando você trata o corpo como ferramenta, você se separa de tudo.

Desencantamento = segmentação.

E quando você se funde com o corpo, quando você entende que corpo e tempo são indissociáveis, algo radical acontece: você se torna o tempo.

Você faz parte do tempo. Você se soma com o tempo, e isso muda a forma como você organiza a sua vida.

Você, enquanto fractal da composição do tempo, passa a fazer parte ativa de uma composição cósmica. Não como indivíduo, apenas, mas como uma energia disponível para ativar novas consciências no planeta.

O Tzolkin carrega em sua origem uma energia primordial. E essa qualidade nos remonta nossa essência. Nos remonta nossa animalidade e também nossa consciência em estado puro. Nos faz perceber, ao nos conectar com esse campo unificado, que temos tudo que precisamos dentro de nós. Que assim como medir o tempo pode ser simples. Cuidar do corpo pode ser simples. Viver uma vida abundante pode ser simples.

A qualidade daquilo que é primordial desmonta os excessos. E ao desmontar os excessos percebemos também que muitas vezes aquilo que nos adoece enquanto sociedade é exatamente essa ideia de incompletude que nos leva a consumir — informações, coisas, relações, como se isso pudesse nos salvar de um vazio que é... nossa natureza em mutação.

O Tzolkin nos devolve a gerência do tempo. Porque nos convida a observar: quem sou eu quando o kin é vento, quais energias me desafiam, quais energias me movimentam, quais energias me pedem recolhimento. E a partir disso eu posso gerir meu tempo de um lugar não-robotizado. De um lugar onde eu e o tempo nos tornamos cada vez mais uma coisa só.

Se o tempo não é fixo, como posso ser fixa?

O Tzolkin me mostrou que eu não sou fixa. Que a ideia de personalidade se equivoca. Porque se a cada dia eu me somo com a energia do dia, eu mudo quem sou.

Também sinto que o kin de nascimento é sim um mapa, mas não um mapa do que sei ser, mas um mapa do que me leva em direção a minha versão essencial. Não é sobre ser melhor ou pior, mas despir-se até mesmo de desejo de ser melhor, ou de entender-se pior. E entender-se a todo momento atraindo e repelindo situações, pessoas e coisas conforme o meu próprio campo — campo é também um lugar onde se cultiva os desejos.

O vazio é a tela em branco. Ele deixa de ser um incômodo, e passa a ser um campo fértil — um lugar onde todas as possibilidades podem ser semeadas.

Fundir-se com o tempo é entender-se ilusório e real. Entender-se uma peça de uma engrenagem infinita. Que muda de forma, que acopla e desacopla velhas e novas consciências. Entender que qualquer pedaço de consciência que seja tem o poder de transformar o seu redor.

Entender-se cocriador, modulador, entender-se frequência, entender-se movimento. Entender-se processo.

Um dia vivido nesse estado é feito de observar-se: não só como espectador, mas como senciente, dotado de mãos, de desejos, de motivos, e colocar-se em movimento a partir desse lugar.

De voltar a dialogar com o cosmos, não de um lugar religioso, mas de um lugar de curiosidade. De instinto. De maravilhamento. É esse maravilhamento que nos conecta com o todo unificado.

Fazemos parte de um universo ilimitado, mesmo com todas as nossas limitações. Quando encostamos no divino, toda a existência passa a ser mais leve. Não é uma resposta que chega até nós, mas um sentimento de processo. De não-pressa. Onde o espírito integra a consciência como um evento infinito, do qual sempre faremos parte.

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/ Luba Uac
260 dias [ 02 ] / 2025, 2026